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Mongaguá

Mongaguá: mães relatam falta de especialistas na área da Saúde

Elas suspeitam que os filhos sejam autistas, mas ainda não foi feito um exame diagnóstico

Mães estão preocupadas com a demora no agendamento / Nair Bueno/DL

Mães reclamam sobre a falta de atendimento médico nas especialidades de neurologia infantil e psicologia infantil na rede municipal de saúde em Mongaguá. Além da demora de cerca de quatro meses para o agendamento de alguns exames para saber o diagnóstico de autismo.

É o caso da mãe Jessica Regina Moreira, advogada, com o filho Hugo Bernardo, de 4 anos, moradores no bairro Flórida Mirim, no município. Há cerca de dois anos e meio no município, ela diz que o filho sempre foi muito agitado e o levou à pediatra do posto de saúde.

“Meu filho, na época, tinha 2 anos, e a médica o encaminhou para passar por um neurologista. Em setembro de 2021, fui encaminhada a um psiquiatra infantil, mas não fui chamada”.  

Este ano, Jessica procurou a Diretoria de Saúde e foi indicada para passar na Saúde Mental, em fevereiro deste ano. A psiquiatra falou que o seu filho poderia ter inúmeras doenças, um retardo mental ou um autismo leve.

No dia 13 de abril, Jessica pediu à Diretoria de Saúde uma cotação e autorização para que o seu filho passasse por um exame psicodiagnóstico, com um psicólogo, em outro município.

No mesmo mês, ela foi encaminhada para passar por uma pediatra e depois por uma neurologista no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. Jessica e o filho foram em uma van oferecida pela prefeitura, que sai às 4 horas de Mongaguá e retorna por volta das 14 horas.

“A neurologista disse que o meu filho era uma criança saudável e descartou que ele fosse autista. E que a agitação dele podia ser devido à pós-pandemia. Mas, ainda estou aguardando a autorização da Saúde pra ele fazer um eletroencefalograma e o psicodiagnóstico feito por um psicólogo”. Também aguarda por uma consulta com uma fonoaudióloga.

Outra mãe que espera por um diagnóstico de seu filho Mateus, de 3 anos, é a autônoma Cristiane Caetano Ribeiro do Nascimento, moradora no mesmo bairro.

“Meu filho está com suspeita de autismo, mas há dois anos estou correndo atrás para saber o diagnóstico. Ele também tem problemas de alergia, como rinite, mas não consigo passar por um otorrino. Ele teve infeção no ouvido e precisei ir ao AME, em Praia Grande”, conta.

Cristiane diz que que parou de trabalhar e tem gastos com a condução e alimentação, ao levar o seu filho em médicos pediatras em Praia Grande ou em Santos.

“Meu filho já chegou a ser medicado de forma errada, no posto de saúde do bairro, pois ele tinha alergia a dipirona e o médico receitou esse remédio”. O menino ficou inchado e teve que ser encaminhado ao Hospital de Mongaguá, onde ficou internado por três dias.

Cristiane lembra que, em março, foi procurar a Saúde Mental, mas que só conseguiu agendar uma consulta com o psiquiatra no mês de julho.          

Segundo as mães, a rede municipal de Saúde não tem estrutura e nem especialistas para atender de forma satisfatória a população. E que ainda não possui o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no município.  

Outro lado

A prefeitura de Mongaguá informa que a especialidade Otorrinolaringologia Infantil e a Neuropediatria não integram as especialidades disponíveis no Centro Médico da Rede Municipal de Saúde. E que os pacientes de Mongaguá dependem das vagas reguladas e disponibilizadas pelo Governo do Estado, via sistema CROSS. Neste momento, não há profissionais deste segmento na rede regional. Mas que a Diretoria Municipal de Saúde deve implantar, a partir de junho, o Ambulatório de Neuropediatria no Centro Médico.

Diz ainda que o Centro de Reabilitação Físico Mental do município, no Vera Cruz, tem o Ambulatório de Psicologia, para pacientes a partir dos 4 anos e de Psiquiatria adulta e infantil.
Quanto à Pediatria, ela existe em todos os nove postos de Saúde da Família com agendas regulares, além do Pronto Socorro Infantil, no Hospital e Maternidade Municipal, em funcionamento 24 horas.

A prefeitura diz que a região está sem especialistas para atendimento do público infantil em algumas especialidades. Mas que não é um problema de Mongaguá e sim de toda a Região Metropolitana da Baixada Santista.

O Centro Médico do município, inaugurado em agosto de 2020 pela Administração, contempla, pela primeira vez, especialidades que sempre apresentaram fila de espera, como a Otorrinolaringologia, Oncologia, Dermatologia e Gastroenterologia.

E que fornece transporte às pessoas que necessitam de atendimento fora do município, em todos os estabelecimentos da Rede Pública de Saúde do Estado, dependendo da patologia do paciente, que deve apresentar o comprovante de agendamento de procedimento, exame ou consulta ao setor competente da Saúde.

Quanto ao pedido feito pela mãe Jessica Moreira sobre a cotação e autorização para o exame psicodiagnóstico de seu filho, a prefeitura explica que, após consulta médica, ela apresentou a demanda a um dos postos de Saúde da Família e, em se tratando de um procedimento não contemplado na Rede Municipal de Saúde e inexistência de especialista de referência na rede pública regional, ela foi encaminhada à Diretoria de Saúde, que seguiu os protocolos do município.

A Diretoria de Saúde encaminhou ofício ao Executivo, que autorizou o prosseguimento da tramitação do processo e foi repassado ao Departamento de Compras, cuja equipe realiza junto às instituições da rede particular um levantamento de preços. E que a busca ativa foi intensificada na última semana, diante da necessidade deste e de outros pacientes infantis, na região, na Capital e Interior.
 
E ainda que está em fase de construção uma unidade CAPS I, no bairro da Vila Atlântica, porém sem previsão de início de funcionamento, já que não apenas a obra como a composição técnica e estrutural demandam recursos vultuosos, tanto do município como dos governos Federal e Estadual.

 

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