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Guarujá

Peça com sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima tem apresentação em Guarujá

Será no dia 10/2, no Teatro Municipal Procópio Ferreira, às 20 horas

Da Reportagem

Publicado em 30/01/2023 às 14:34

Atualizado em 30/01/2023 às 14:41

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Peça "Os três sobreviventes de Hiroshima" terá apresentação única e gratuita / Reprodução/Joelma do Couto

O único espetáculo teatral no mundo com sobreviventes da bomba de Hiroshima terá uma sessão gratuita em Guarujá, no Teatro Municipal Procópio Ferreira, dia 10 de fevereiro (sábado) às 20 horas. A peça Os três sobreviventes de Hiroshima leva ao palco o ponto de vista de quem vivenciou o primeiro ataque nuclear da história e convive com as consequências desta tragédia humanitária, enfatizando a importância da busca pela paz. 

A apresentação reconstrói a história do jovem Takashi Morita (à época com 21 anos), e das crianças Kunihiko Bonkohara (5) e Junko Watanabe (2), que estavam em Hiroshima em 6 de agosto de 1945, dia em que a bomba denominada Little Boy foi lançada pelos americanos nesta cidade do Japão. 

Os horrores deste episódio da história mundial são narrados pelos próprios sobreviventes, com Bonkohara e Watanabe em cena e Morita em vídeo e interpretado pelo ator Ricardo Oshiro, no formato de teatro-documental, também conhecido como biodrama. Os sobreviventes detalham o exato momento da fatídica explosão nuclear, os dias seguintes e a imigração para o Brasil, onde buscaram melhores oportunidades para suas vidas. Tudo falado em português. 

Fotos originais e canções da época executadas pelos próprios imigrantes dão o clima da apresentação, que é sucesso de público por onde passa, acumulando mais de 15 mil espectadores em cidades como São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Bauru, Presidente Prudente, entre outras. 

Com roteiro e direção de Rogério Nagai, a peça deu origem ao projeto Sobreviventes pela Paz, cuja ideia nasceu em 2012, a partir de pesquisas sobre a comunidade nipo-brasileira e a imigração japonesa no Brasil. O trabalho envolveu um criterioso levantamento durante 12 meses e mais quatro meses para desenvolver o roteiro e a montagem do espetáculo. 

"Ainda que o texto trate de uma tragédia, a peça leva uma reflexão sobre a paz por onde passa, com uma mensagem forte de resiliência, perdão e superação. Colocar os sobreviventes em cena é uma maneira que o projeto encontrou para mostrar a importância de propagar e manter a paz, para que acontecimentos como esse nunca mais se repitam", explica Nagai, que também entra em cena na montagem. 

A sessão em Guarujá é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, por meio de projeto contemplado pelo ProAC, e NAGAI Produções Artísticas e Culturais, que, desde 2011, desenvolve projetos artísticos e culturais, promove palestras, seminários e eventos corporativos. O apoio é da Universidade Internacional da Paz (Unipaz ) filial Baixada Santista e Bar Heinz. 

A retirada antecipada dos ingressos é feita através da plataforma Sympla e na bilheteria (Av. Dom Pedro I, 350, Jardim Tejereba), no dia da apresentação, 60 minutos antes do início do espetáculo, sujeito a lotação máxima do teatro: 357 lugares, sendo 2 para cadeirantes. 

O bombardeio 

No estágio final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram uma bomba na cidade de Hiroshima. Três dias depois, em 9 de agosto de 1945, atingiram também Nagasaki. Foram milhares de mortos e feridos, além de sobreviventes que buscaram retomar suas vidas depois da tragédia. Os números oficiais indicam entre 130 e 240 mil mortos como resultado destes que foram os primeiros e únicos ataques nucleares contra civis em toda a história. No Brasil, há cerca de 70 sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki.  

Os sobreviventes 

Takashi Morita tem 98 anos, nasceu em Hiroshima em fevereiro de 1924 e fazia parte da Academia Militar, tendo sobrevivido a um bombardeio incendiário em Tóquio, meses antes da bomba nuclear. Fundou a Associação dos Sobreviventes da Bomba Atômica no Brasil, que depois passaria a se chamar Associação Hibakusha Brasil pela Paz, para reivindicar os direitos dos sobreviventes que viviam no Brasil. É autor do livro A última mensagem de Hiroshima, pela Universo dos Livros. 

Kunihiko Bonkohara tem 82 anos, nasceu em Shizuoka e estava no escritório do pai no dia do ataque, a 2 quilômetros do epicentro da explosão. Perdeu mãe e irmã nessa tragédia, cresceu com a saúde debilitada e aos 20 anos, veio trabalhar nas lavouras do Paraná. Também faz parte da Associação Hibakusha Brasil pela Paz. 

Junko Watanabe tem 80 anos e foi atingida pela chuva negra (chuva radioativa) enquanto brincava com o irmão no pátio de um templo, do fatídico dia. Como só tinha 2 anos, a família escondeu sua condição de sobrevivente de Hiroshima, tendo conhecimento apenas aos 38 anos. Veio para o Brasil com 24 anos, casou-se com um japonês e também atua na Associação Hibakusha Brasil pela Paz. 

Ficha técnica: 

Roteiro e direção: Rogério Nagai 

Assistência de direção: Ricardo Oshiro 

Elenco: Kunihiko Bonkohara, Junko Watanabe, Ricardo Oshiro e Rogério Nagai 

Produção executiva: Camilla Aoki 

Operação de luz: Paula da Selva 

Design e operação de vídeo-mapping: Alexandre Mercki 

Assessoria em mídias sociais: Kyra Piscitell 

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