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Guarujá

Em Guarujá, praias lotadas têm disputa de caixas de som entre turistas

Segundo o inciso quarto do artigo 100-A do Código de Posturas Municipal "é proibido o uso de equipamentos sonoros, caixas de som e instrumentos de percussão na faixa arenosa, jardins e calçadões"

Na praia da Enseada, no Guarujá, banhistas levam além da tradicional cerveja, suas caixas de som para ouvir suas músicas favoritas. Na foto, o grupo de amigos do músico Michael Ferreira dos Santos, 28, (no centro, com a mão na caixa de som) turistas de Ca / Jardiel Carvalho - Folhapress

Chamou atenção entre mais de uma centena de guarda-sóis espalhados por um dos movimentados trechos da praia da Enseada, em Guarujá, no litoral sul paulista, um raro registro de um grande grupo de pessoas sem a presença de uma caixa de som potente ligada.

Diferente de quase todos ao redor, a analista financeira Isabelle Medeiros, 27, tinha o item de 20 watts de potência pendurado -quase esquecido- em uma das hastes do guarda-sol alugado.

"Não queremos ligar, mas imagino que vamos ter que fazer porque é tanto barulho [de outras caixas] que fica insuportável. Digo que é a farofa da música", disse Isabelle à reportagem. "Fica pior mais tarde, principalmente depois que bebem", completa

Acompanhada de amigos e familiares, todos vindos de São Paulo, o grupo de oito pessoas foi só um dos que lotou no sábado (22) a praia mais movimentada do município carregando um cooler com bebidas e, principalmente, aparelhada de som debaixo de calor escaldante.

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A poucos metros deles, por exemplo, era possível ouvir a voz do cantor Gusttavo Lima misturado à da dupla sertaneja Milionário e José Rico.

"Meu bem como é maravilhoso sonhar com você", cantava alto a empresária Daniella Chelinho, 40, apontando para o marido Amarildo Mariano Veronez, 53.

A declaração de amor, na verdade, é a reprodução de um trecho da música "Sonhei com você", uma das mais populares de autoria dos cantores.

O grupo de 14 pessoas chegou na última sexta (21) de Cuiabá para passar cinco dias na praia. Os estilos ouvidos são variados entre rasqueado, pagode e sertanejo. "Só não pode ter funk", explica ela aos risos.

As caixas vão desde modelos mais compactos a outros robustos, amplificadas por mais de 550 watts de potência e acompanhadas de carrinho para transporte pelo tamanho.

Na lista de artistas preferidos do músico Michael Ferreira, 28, estão Jorge e Matheus, Marília Mendonça e Gusttavo Lima. Ele diz nunca ter ouvido reclamações de vizinhos de guarda-sóis.

"Na sexta, nos pediram até para ficar, estavam gostando muito do som. Tínhamos chegado cedo, às 9h, então pedimos desculpas e saímos", diz Ferreira, morador de Campinas.
Situação completamente oposta viveu o comerciante Hueslel Rodrigues, 23, de Guarulhos, que recorda ter recebido de uma pessoa um pedido para baixar o som enquanto ouvia Wesley Safadão.

"Queríamos, na verdade, era ouvir o nosso rap: Filipe Ret, Matuê ou Orochi, mas isso chama atenção por aqui. Vamos de Safadão mesmo", explica Hueslel.

O médico Pedro Partata, 26, conta ter passado por constrangimento semelhante em Juquehy, no litoral norte. "Nos pediram para diminuir o som porque estavam tentando ler. O goiano evita confusões. Diminuí e pronto", relata.

Acompanhado do amigo e empresário Diego Baeza, 27, eles potencializaram o som com duas caixas sincronizadas da marca JBL. "Ela já fica no meu porta-malas. Brinco que faz parte do meu corpo, levo sempre", conta Baeza, que veio de Anápolis (a 59 km de Goiânia).

Em todo o período na praia, a reportagem não registrou nenhuma fiscalização ou ouviu qualquer relato de ação por parte do município.

Ambulantes senegaleses foram figuras constantes nas areias oferecendo caixas de som que iam de R$ 70 a R$ 150, com três tamanhos diferentes. Nos melhores dias eles vendem seis delas. Outros também ofertam roupas.

Segundo o inciso quarto do artigo 100-A do Código de Posturas Municipal "é proibido o uso de equipamentos sonoros, caixas de som e instrumentos de percussão na faixa arenosa, jardins e calçadões". A infração pode resultar em orientações ou até mesmo multas.

"É rotina no fim de tarde a faixa de areia e o calçadão ficarem tomados por grupos com caixas de som. Muitas vezes são tantos misturados que não é possível ouvir nada com clareza, apesar do som alto. Há muitas brigas, também", relata Marcelo Yamaura, 48, dono de um estabelecimento comercial localizado bem em frente à praia.

Em nota, o município diz que desde o início da operação verão do governo estadual o maior número de ocorrências registrado é, justamente, referente ao som abusivo em praias como Guaiúba, Tombo, Astúrias, Pernambuco e Enseada, com maiores incidências e onde foram apreendidos dois equipamentos.

Entre 18 de dezembro e 1º de janeiro, a fiscalização apontou 4.577 irregularidades, sendo 1.690 por este motivo. Ao receber a denúncia, a fiscalização vai até o local e orienta o responsável a recolher o som. Em caso de reincidência são acionadas a Polícia Militar e a Guarda Civil municipal para realizar a apreensão.

O bom tempo aliado ao feriado municipal desta terça-feira (25), em comemoração pelo aniversário de São Paulo, atraiu ainda mais turistas às praias. Diversos carrinhos que alugam guarda-sóis e cadeiras já não tinham mais disponibilidade e cobravam R$ 160 reais pelo empréstimo até as 17h.

O DER estima que, até o dia 25, cerca de 201 mil veículos trafeguem para o litoral norte, 296 mil para o litoral sul, 113 mil na rodovia Mogi-Bertioga, 385 mil na Raposo Tavares, além de 51 mil na Oswaldo Cruz.

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