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Aeroporto de Guarujá terá voos diários para Rio e Campinas

Na prática, o documento assinado libera a entrada da vencedora da licitação, a Terracom Construções Ltda., na área militar para execução dos serviços

Nilson Regalado

Publicado em 27/02/2024 às 19:00

Atualizado em 27/02/2024 às 20:39

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O investimento de R$ 19 milhões vai adaptar a unidade militar para que ela possa receber também pousos e decolagens de aviões comerciais com mais conforto e segurança / PREFEITURA MUNICIPAL DE GUARUJÁ

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Onze e trinta e três da manhã do dia 27 de fevereiro de 2024. Esse fragmento na história ficará gravado para sempre na cronologia da Região Metropolitana da Baixada Santista. Nesta terça (27), cento e cinco anos depois de o aviador Virginius de Lamare ter pousado uma aeronave pela primeira vez em ‘solo caiçara’, a Prefeitura do Guarujá assinou a ordem de serviço para início das obras na Base Aérea.

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O investimento de R$ 19 milhões vai adaptar a unidade militar para que ela possa receber também pousos e decolagens de aviões comerciais com mais conforto e segurança. As obras nesta primeira fase devem durar seis meses e serão bancadas, exclusivamente, com recursos do Governo Federal. A expectativa é que, em 2025, os primeiros Cessna Caravan 208 com capacidade para dez a 14 passageiros já estejam operando voos diários do futuro Aeroporto Civil Metropolitano para o Rio de Janeiro e Campinas.
  
Na prática, o documento assinado libera a entrada da vencedora da licitação, a Terracom Construções Ltda., na área militar para execução dos serviços. Isso só foi possível após a autorização formal do chefe do Estado Maior da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Sergio Roberto de Almeida.

O aval da Força Aérea Brasileira determina do zoneamento da área da União onde está instalada, desde dezembro de 1924, a Base da Aeronáutica, batizada inicialmente como Posto de Aviação Naval de Santos. Esse zoneamento definiu as diretrizes da segregação de atividades militares e operações civis no local.

"A Força Aérea cooperou para viabilização do Aeroporto", resumiu o comandante da Base, coronel Jean Carlo, exaltando o fato de a unidade militar localizada em Vicente de Carvalho ter sido a primeira do gênero no País. Hoje, o Brasil conta com outras 18 bases aéreas.

O contrato entre a Prefeitura e a Terracom contempla o recapeamento da pista de pouso e decolagem e eventual troca do asfalto em algum trecho mais crítico. Também estão previstas nessa primeira fase em três pistas de taxiamento, além de posterior pintura de informações de segurança em todas as áreas de movimentação dos aviões.

A Terracom também vai executar a drenagem e a implantação de três mil metros lineares de cerca, a fim de evitar a invasão da fauna silvestre.

SONHO DE DÉCADAS.
A adaptação da Base Aérea para que possa receber voos de passageiros era esperada pelas lideranças políticas e empresariais da região há quase quatro décadas, desde que a Rio-Sul Linhas Aéreas parou de voar do Guarujá com destino a São José dos Campos e Rio de Janeiro nos anos 1980.

Mas, o feito do aviador Virginius de Lamare inaugurou, em 1919, a relação de fascínio e de idas e vindas da região com os aviões. E essa conexão começou com os hidroaviões.

O sonho de um aeroporto começou a ser embalado em 1921, quando o deputado federal santista César Lacerda de Vergueiro (1886/1957) apresentou projeto na Câmara dos Deputados visando a criação de uma base aeronaval.

Nessa época, os hidroaviões pousavam na altura da Ponta da Praia. Daí, o destino era a Praia do Góes, o atual bairro da Conceiçãozinha ou a região da Bocaina, em Guarujá.

Nessa época o Governo Federal destinou seis aeronaves para o patrulhamento da costa. À Marinha caberia construir hangares. A pedra fundamental da atual Base Aérea foi lançada em outubro de 1922, as desapropriações começaram em 1923 e as primeiras instalações militares surgiram há exatos 100 anos, em 1924. 

Mas, a região chegou a abrigar até uma pista para voos internacionais. Na década de 1930, a Air France operou o aeródromo à beira-mar, no Bairro Aviação, em Praia Grande. Durante a II Guerra Mundial a área foi desapropriada dos estrangeiros.

Também na década de 1930, hidroaviões com capacidade para 20 passageiros faziam voos regulares entre Buenos Aires, Montevidéu e Santos. Em 1938, foi registrada pela Companhia Docas a escala de 625 hidroaviões.

Já em 1947, o deputado estadual Lincoln Feliciano apresentou projeto na Assembleia Legislativa para construção de um aeroporto internacional no Campo da Aviação (na Praia Grande) na área expropriada da Air France. Dois anos depois, um projeto semelhante foi apresentado na Câmara Federal pelo deputado Antônio Feliciano.

Até os anos 1990, a pista que pertenceu aos franceses serviu para treinamento de pilotos civis. Os cursos eram oferecidos pelo Aeroclube de Santos, mas a escola foi desativada devido ao perigo que representava para a vizinhança, já muito adensada. (Nilson Regalado)

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