Considerado uma iguaria sofisticada no Japão, o baiacu chama atenção não apenas pelo sabor, mas também pelo alto risco associado ao seu consumo. Enquanto no país asiático o prato pode custar até 43 mil ienes (cerca de R$ 1,5 mil) em restaurantes especializados, no Brasil o peixe praticamente não tem valor comercial pela presença de uma toxina altamente letal.
De acordo com o g1, o baiacu encontrado no litoral paulista é comum na região, especialmente na Baixada Santista, mas raramente é consumido. Isso porque ele contém a tetrodotoxina (TTX), uma substância capaz de provocar paralisia muscular e até a morte por asfixia.
Diferença entre o baiacu do Brasil e do Japão
Segundo o biólogo marinho William Rodriguez Schepis, ouvido pelo g1, a espécie consumida no Japão não é a mesma encontrada no Brasil. O peixe servido nos restaurantes asiáticos vive principalmente nas águas do Japão e da China.
Apesar dessa diferença, a toxina presente nos baiacus é a mesma, o que exige extremo cuidado no preparo. A principal distinção está na qualificação dos profissionais: no Japão, chefs passam por anos de treinamento rigoroso para manipular o peixe com segurança, reduzindo os riscos de intoxicação.
Na Baixada Santista, o baiacu aparece com frequência nas pescarias. Em Santos, pescadores costumam devolver o peixe ao mar após fisgá-lo, já que não possui valor comercial e representa perigo.

Um dos peixes mais venenosos do mundo
O baiacu pertence à família Tetraodontidae e é considerado um dos peixes mais venenosos do planeta. A tetrodotoxina está concentrada principalmente em órgãos como fígado, ovários e intestinos.
Mesmo em pequenas quantidades, a substância pode ser fatal. Estima-se que apenas dois gramas sejam suficientes para causar a morte de um adulto.
Tipos de baiacu no Brasil
Entre as espécies mais comuns no país estão o baiacu-arara e o baiacu-pintado. O primeiro apresenta menor toxicidade e, em alguns casos, pode ser comercializado. Já o pintado possui níveis extremamente elevados de toxina e está associado à maioria dos casos de envenenamento registrados no Brasil.

De onde vem o veneno
Diferente do que muitos imaginam, o baiacu não produz a toxina por conta própria. A tetrodotoxina é gerada por bactérias presentes em seu organismo, especialmente nos órgãos internos.
Por isso, o consumo do peixe sem preparo adequado representa um risco sério à saúde, o que explica por que ele é amplamente evitado no Brasil, apesar de seu status de iguaria em outras partes do mundo.
