Sócios aprovam, e Peres sofre 1º impeachment da história do Santos

Neste domingo, 1.078 sócios votaram, com 1.005 a favor do impedimento, 69 contra, além de dois brancos e dois nulos

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22 NOV 2020Por Folhapress19h56
Os associados do Santos decidiram neste domingo (22), em assembleia-geral na Vila Belmiro, pelo impeachment do presidente José Carlos Peres.Foto: Ivan Storti/Santos FC

Os associados do Santos decidiram neste domingo (22), em assembleia-geral na Vila Belmiro, pelo impeachment do presidente José Carlos Peres, afastado do cargo desde o dia 28 de setembro, após aprovação do conselho deliberativo para o parecer de má gestão da comissão de inquérito e sindicância.

A decisão transforma o cartola no primeiro presidente da história de 108 anos do clube a sofrer um impedimento, de acordo com a Associação dos Historiadores e Pesquisadores do Santos FC (Assophis).

Antes dele, dois mandatários já haviam renunciado: Miguel Kodja Neto, em 1994, por causa do que ficou conhecido como escândalo do telebingo, e Antonio Guilherme Gonçalves, na década de 1930.

Neste domingo, 1.078 sócios votaram, com 1.005 a favor do impedimento, 69 contra, além de dois brancos e dois nulos. Para que a decisão fosse homologada e Peres perdesse o seu mandato, era necessário mais de 50% dos votos a favor do processo.

Com o resultado nas urnas, o clube continuará gerido até 31 de dezembro por Orlando Rollo, ex-vice de Peres e seu algoz político, poupado do processo por entendimento de que não teve participação na administração devido a um licenciamento no ano de 2018.

"Hoje é um dia para comemorar. Defenestramos quem fez muito mal ao clube, porém sabemos que é triste para a história do Santos ter perdurado tanto um presidente que não quis sair. Esse processo gerou, vale dizer, quase R$ 300 mil de custos jurídicos e outros", afirmou Rollo após a votação.

Em meio a uma grave crise financeira, o clube passará por eleição no próximo dia 12 e tem, até o momento, seis candidatos com candidatura protocoladas: Andrés Rueda, Daniel Curi, Fernando Silva, Milton Teixeira Filho, Ricardo Agostinho e Rodrigo Marino.

Peres, 72, não compareceu à votação, encerrada às 18h, e também esteve ausente de todas as últimas reuniões do conselho para apresentar a sua defesa. Ele atribuiu a ausência neste domingo a falta de segurança e ao fato de pertencer ao grupo de risco para o coronavírus.

Pela manhã, as duas principais uniformizadas do clube dirigiram protestos ao dirigente: "Peres vagabundo, respeite o Santos, o maior time do mundo" e "se o Peres não vazar o pau vai quebrar".

Em frente ao portão de acesso para a votação, na Vila Belmiro, foram espalhados diversos panfletos pedindo a saída do presidente e uma faixa com os dizeres: "Respeita o Santos! Peres na Vila nunca mais".

No último dia 23, em entrevista à Folha, Peres rebateu a acusação de ter usado um cartão corporativo do clube para a compra de roupas íntimas em uma loja de roupas e perfumes femininos. Ele contestou a decisão de conselheiros pelo seu afastamento e disse que voltaria por direito à presidência, se referindo seguidamente ao seu sucessor e algoz político Orlando Rollo por "interino".

Peres foi afastado e, posteriormente, sofreu o impedimento por irregularidades nas contas de 2019, reprovadas pelo conselho deliberativo e pelo conselho fiscal do clube.

Foram apontadas irregularidades nas demonstrações financeiras, como o pagamento de comissões não devidas nas transferências de jogadores, uso do cartão corporativo do clube para compras pessoais e diferenças entre o orçamento e gastos efetivos.

Essa foi a segunda vez que ele se tornou alvo de um processo de impeachment. Em 29 de setembro de 2018, acabou se mantendo no cargo após 36,5% de votos a favor de um afastamento, percentual insuficiente para tirá-lo do cargo.

Na ocasião, ele escapou de dois pedidos simultâneos. A disputa foi o ápice da guerra política com Rollo, que pediu afastamento dias depois da votação.