Ponte ignora mando são-paulino e faz 3 a 1 de virada em 1ª semifinal

A vaga será decidida na próxima quarta-feira. Não em Campinas, mas em Mogi Mirim, já que, por solicitação da diretoria são-paulina, a Conmebol vetou o Moisés Lucarelli

Comentar
Compartilhar
21 NOV 201300h03

O mando de campo e os mais de 50 mil presentes não fizeram diferença para a Ponte Preta, na primeira semifinal da Copa Sul-americana. Na chuvosa noite desta quarta-feira, a equipe de Campinas venceu o São Paulo por 3 a 1, de virada, em pleno Morumbi, e saiu em vantagem rumo à decisão do torneio continental. Antônio Carlos (contra), Leonardo e Uendel balançaram a rede de Rogério Ceni, depois de Paulo Henrique Ganso ter feito um belo gol pelo time da casa.

A vaga será decidida na próxima quarta-feira. Não em Campinas, mas em Mogi Mirim, já que, por solicitação da diretoria são-paulina, a Conmebol vetou o Moisés Lucarelli, fazendo valer a exigência de capacidade mínima de 20 mil espectadores estabelecida no regulamento. Exigência que não vinha sendo cumprida nas fases anteriores.

Penúltimo colocado do Campeonato Brasileiro e muito próximo de ser rebaixado à segunda divisão nacional, o time treinado pelo ex-são-paulino Jorginho poderá até perder por 2 a 0, daqui a uma semana, para chegar à decisão. Ao São Paulo, que se livrou recentemente do risco de queda à Série, apenas um triunfo por três gols de diferença o deixará em condições de disputar o bicampeonato.

Nesta quarta-feira, que seria de festa para Ceni – o goleiro fez sua 1116ª atuação pelo clube e igualou recorde de jogos de Pelé –, quem inicialmente não teve motivo para festejar ao chegar ao Morumbi foi Luis Fabiano. Ainda em busca do condicionamento físico ideal, o atacante começou no banco de reservas - pela primeira vez no São Paulo, desde 2001, em sua primeira passagem pelo clube - e só participou mais tarde da partida, entrando no segundo tempo.

O goleiro Roberto e Baraka, da Ponte Preta, comemoram gol da equipe na partida contra o São Paulo (Foto: Ale Viana - Brazil Photo Press)

Mas quem parecia mais nervoso era justamente Ceni. Aos sete minutos, o capitão não hesitou em ir para o campo de ataque após a marcação de falta na meia esquerda. Mas bateu muito mal, mandando a bola longe demais da meta. Uma de suas piores cobranças na carreira, senão a pior. Debaixo da trave, porém, mostraria firmeza quando acionado.

Na realidade, ele só foi acionado mesmo uma vez antes do intervalo, em chute fraco de Artur, aos 32 minutos. Antes disso, viu sua equipe ser ofensivamente superior ao adversário e abrir o placar. Com um golaço. Aos 20 minutos, Paulo Henrique Ganso recebeu passe na entrada da área, levou a bola para a perna direita e bateu rasteiro. Ela tocou a trave esquerda e entrou.

O arremate certeiro de Ganso, no entanto, foi também o único lance em que o São Paulo efetivamente deu trabalho ao goleiro Roberto. Depois disso, a produção caiu significativamente, e a Ponte, mesmo que timidamente, passou a se arriscar mais ofensivamente. Em especial com Rildo, jogador mais agudo da equipe interiorana, o qual aparecia bem pelos dois lados do campo.

Aos 27 minutos, o camisa 7 ponte-pretano correu para receber lançamento na ponta esquerda, mas viu Ceni deixar a meta em direção à bola. O goleiro chegou atrasado, sem exatamente cometer falta, mas dando susto no técnico Muricy Ramalho, do outro lado do campo. Mas o árbitro entendeu que o são-paulino tocou por último na bola e assinalou arremesso manual para os visitantes.

Com mais espaço para ambos, os dois times criaram novas chances razoáveis para marcar. O São Paulo, com Ademilson e Lucas Evangelista. A Ponte, em arremate à distância de Fellipe Bastos e em uma tentativa de bicicleta de Rildo. Todas, porém, sem conclusão que passasse perto do gol.

A partida se encaminhava para o intervalo com uma vitória parcial são-paulina até que, aos 43 minutos, Uendel recebeu passe dentro da área, passou pelo volante Denilson e atrasou rasteiro quase da linha de fundo. Na tentativa de fazer o corte na pequena área, o zagueiro Antônio Carlos empurrou a bola para a rede, sem qualquer chance de defesa para Ceni, que, ao sofrer o empate, imediatamente se enfureceu com seus companheiros de retaguarda.

Na volta para a segunda etapa, sua irritação só deve ter aumentado. Aos seis minutos, após cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, Rildo chutou forte e rasteiro, e o goleiro se esticou para espalmar a bola. Mas a retaguarda não concluiu o corte, e Leonardo aproveitou o rebote para, com liberdade absoluta, virar o placar. A torcida não teve dúvida em gritar o nome de Luis Fabiano.

O técnico Muricy Ramalho demorou um pouco, mas cedeu ao pedido da arquibancada e chamou o camisa 9. Mas já era tarde. Luis Fabiano até assustou o goleiro Roberto, em cabeceio acima do travessão, porém a Ponte estava firme. Tão firme que, aos 25 minutos, Uendel recebeu passe na entrada da área e chutou de perna esquerda. A bola desviou no meio do caminho e enganou Ceni: 3 a 1. O São Paulo ainda desperdiçou duas grandes chances de gol, com Luis Fabiano e Welliton, para desespero da torcida. Um fim de festa que nem o mais pessimista são-paulino imaginaria.