Muricy vai ao CT e se emociona em despedida: "Isso é nossa vida"

Um dia depois de anunciar sua saída do clube para cuidar da saúde, o treinador retornou pela última vez ao local em que havia voltado a trabalhar em setembro de 2013

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07 ABR 201514h43

"Muricy Ramalho", anunciou no rádio um dos vigilantes, no momento em que seu carro passou pelo portão da CT da Barra Funda, às 9h20 desta terça-feira. Um dia depois de anunciar sua saída do clube para cuidar da saúde, o treinador retornou pela última vez ao local em que havia voltado a trabalhar em setembro de 2013.

A despedida foi rápida, mas ele fez questão de conversar com o elenco – em tom até de desculpa por não ter conseguido reerguer o time – e abraçar um a um os funcionários e todos os membros da comissão técnica que passará a ser chefiada momentaneamente por Milton Cruz. Segundo a diretoria, o coordenador técnico deverá comandar a equipe pelos próximos quatro jogos.

Em seguida, o treinador se dirigiu à sala de imprensa. "Não sei por que vim agradecer a vocês (jornalistas), nunca fizeram nada por mim", brincou. "Já agradeci comissão técnica, jogadores, funcionários, pelo tempo que passamos juntos. Queria agradecer à torcida do São Paulo pelo carinho. Resolvi tomar essa atitude, que é difícil. Isso aqui é nossa vida", falou, antes de última pausa, para concluir com voz embargada. "Mas eu tive que olhar com carinho minha saúde. É isso. Obrigado a todos, e a gente se vê por aí. Valeu".

Treinador passou no centro de treinamento pela manhã e se despediu de jogadores e funcionários (Foto: Divulgação/SPFC)

A saúde debilitada foi o principal argumento para Muricy rescindir o contrato válido até o fim do ano. Além de ter sido internado duas vezes em menos de um ano, por conta de arritmia cardíaca e diverticulite, ele agora tem uma operação agendada para a próxima semana para a retirada de uma pedra na vesícula. "Preciso desse tempo que o São Paulo não tem no momento", explicou, em nota divulgada na segunda-feira para informar a decisão em comum acordo com a diretoria.

Pressionado internamente desde o início da temporada, quando o presidente Carlos Miguel Aidar cobrou títulos em 2015 por ter dado a ele os reforços pretendidos, Muricy não conseguiu dar à equipe o mesmo padrão de jogo do segundo semestre passado, principalmente após a derrota para o Corinthians na estreia da Copa Libertadores.

Iniciada em setembro de 2013, sua terceira passagem chega ao fim depois de 109 jogos (58 vitórias, 22 empates e 29 derrotas). Neste momento, o São Paulo lidera o grupo A do Campeonato Paulista – apesar de ser o pior dos quatro grandes na classificação geral – e ainda luta pela classificação às oitavas de final do torneio continental, pelo qual volta a campo na quarta-feira da semana que vem, diante do Danubio, no Uruguai.

Já sem Muricy, que vinha sendo questionado publicamente e pressionado internamente pelos maus resultados, a equipe tem como próximo compromisso a partida contra a Portuguesa, no Morumbi, pela última rodada da primeira fase da competição estadual. O jogo está marcado para 22 horas (de Brasília) desta quarta-feira.