SABESP AGOSTO DESK TOPO
SABESP AGOSTO MOB

Modesto freia empolgação sobre novo estádio: “É tudo muito embrionário”

“Isso tudo tem que ser muito bem pensado, com equilíbrio, sem loucuras, sem emoção. Não dá para fazer as coisas assim. O clube tem que ter consciência de quanto pode gastar", disse

Comentar
Compartilhar
26 FEV 201512h41

Calma, muita calma. Esse é o tom que Modesto Roma Jr pede ao falar sobre um possível novo estádio para o Santos Futebol Clube. A visita do empresário Walter Torre na primeira quinzena de janeiro deixou os santistas esperançosos quanto a uma parceria entre o clube e a empreiteira que reformou o estádio palmeirense recentemente. 

“Não tem nada, vocês (jornalistas) são muito precipitados Foi uma consciência de interesse. Ele, santista como é, veio aqui conversar e, lógico, falamos sobre a Arena, mas não passou disso”, explicou o mandatário alvinegro, antes de admitir que Walter Torre sobrevoou, a bordo de seu helicóptero, a área que fica ao lado do CT Rei Pelé e que poderia ser utilizada para uma construção deste porte. “É tudo muito embrionário, é uma coisa muito longa, ele veio dar juma olhada, mas o que tem de complicação...o terreno tem dono”, comentou, citando o espaço hoje cedido pela União à Associação Atlética dos Portuários. 

“Fui ver (a área apontada). Ali cabe (um estádio), é (uma região) boa, central. Pode ser um bom lugar. Dá para fazer”, disse Walter Torre, nesta quarta-feira, ao site globoesporte.com. 

Modesto Roma Jr, em diversas oportunidades em que foi questionado a respeito da Vila Belmiro, deixa transparente sua admiração pelo estádio Urbano Caldeira. “Sou alvinegro da Vila Belmiro”, cantou parte do hino à reportagem, por telefone. Porém, nunca fechou as portas para eventuais projetos que pudessem dar ao clube um novo lar.

“Isso tudo tem que ser muito bem pensado, com equilíbrio, sem loucuras, sem emoção. Não dá para fazer as coisas assim. O clube tem que ter consciência de quanto pode gastar, tem manutenção. É um plano de negócio”, disse. “O grande problema é que, em Santos, essa (área ao lado do CT) é a única área disponível”, revelou.

Modesto Roma Jr, em diversas oportunidades em que foi questionado a respeito da Vila Belmiro, deixa transparente sua admiração pelo estádio Urbano Caldeira (Foto: Ivan Storti/SFC)

A construção do estádio corintiano, efetuada com parcerias públicas e privadas e que gerou um custo que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, além do próprio Palestra Itália, que hoje se transformou em uma das melhores Arenas multiuso do país com o investimento de aproximadamente R$ 650 milhões da WTorre, não despertam em Modesto Roma Jr uma ansiedade sobreposta. O presidente santista prefere pregar a cautela e lembra outras prioridades do clube.

“A gente sonha com coisas das mais absurdas às mais concretas, mas tem sonho que pode virar pesadelo. Lógico que se houver (interesse), ótimo. Mas não acho fundamental. O Santos é um clube de futebol, e não uma imobiliária. O Santos precisa ter time de futebol. Temos a nossa casa, que é menor, mas é nossa”, enfatizou. “O Santos ficou para trás nas dívidas, todos estão mais endividados”, finalizou o mandatário peixeiro. 

Vila Belmiro

O Santos enfrenta um grande problema com seu estádio atualmente. Em dias de jogos, o clube disponibiliza apenas 10.200 ingressos ao sócios e torcedores comuns. Isso porque 5 mil entradas pertencem aos donos de cadeiras cativas, que ficam no local nobre da famosa Vila Belmiro. Estas não precisam ser reservadas com antecedência e também não podem ser comercializadas, mesmo que seus respectivos donos não frequentem o local. Por outra lado, o Peixe possui pouco mais de 55 mil sócios em seu quadro momentâneo.

Em 2014, dentre os 20 times participantes do Campeonato Brasileiro, o alvinegro praiano ficou apenas 17º no ranking de média de público, com 9.243 pagantes por partida.

Pacaembu 

Nesta quarta-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, comentou a possibilidade do Santos passar a gerir o estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o famoso Pacaembu. “Para nós seria interessante essa solução”, admitiu o prefeito à rádio Bandeirantes. 

A possibilidade, no entanto, não é bem vista aos olhares do clube. Modesto e seu grupo de gestores entende que o estádio paulistano traria gastos insustentáveis à instituição e pouco retorno. Destacam também o fato do estádio ser tombado pelo patrimônio histórico, o que impede mudanças drásticas em sua estrutura, e a facilidade atual do clube apenas alugar o espaço público apenas nos jogos que lhe interessar.