Quem viveu a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, com certeza se lembra do icônico momento em que uma torcedora do Paraguai aparece na transmissão com o celular entre os seios.
Na época, a cena viralizou nas redes sociais e marcou a carreira de Larissa Riquelme, que ficou conhecida como a Musa do torneio atraindo telespectadores de todo o mundo para assistir as partidas do Paraguai na Copa de 2010.
Atualmente, Larissa Riquelme tem 41 anos e estuda para se formar no curso de Ciências da Comunicação, além de já ter trabalhado na TV, rádio e em mídias digitais, como comentarista e apresentadora. Ela também fez especializações no Paraguai e na Argentina, relacionadas à comunicação, mídia e marketing.
Para a edição da Copa do Mundo deste ano, realizada em três países-sede simultâneamente, Larissa foi contratada para cobrir o torneio e comentar sobre os jogos do dia, decorrente das experiências na área de comunicação ao longo da carreira.
Conhecida mundialmente ‘sem querer’
Segundo Larissa, ela foi apenas como um cidadão acompanhando e torcendo pelo seu país na Copa do Mundo, que não esperava tamanha repercussão com seu nome.
“O que começou como o sonho de uma paraguaia torcendo pelo seu time acabou se tornando um fenômeno global. Da noite para o dia, minha imagem viajou o mundo e abriu portas que eu jamais imaginei. Mas, além da fama, o que realmente mudou foi minha perspectiva de vida. Entendi que os sonhos podem te levar muito mais longe do que você imagina quando acompanhados de trabalho árduo, perseverança e fé”, disse ela, em entrevista concedida à revista Quem e veiculada nesta terça-feira, 2.
Larissa ainda ressalta como foi a experiência na época e a constante procura por veículos do mundo todo. “Passei de ter uma vida normal a me tornar notícia internacional. A parte mais difícil foi aprender a conviver com a exposição, as críticas e as expectativas de milhões de pessoas.”
Entretanto, ao ser questionada sobre a procura pelos jogadores de futebol, ela preferiu não comentar. “Sempre preferi manter minha vida pessoal privada. As pessoas são curiosas, mas hoje gosto que elas também se interessem pela minha carreira, minha evolução e tudo o que construí ao longo desses anos.”
Superação na mudança do estereótipo
A paraguai ainda reforça como foi a batalha para mudar a visão que tinham sobre ela.
“Seria injusto negar que essa exposição me abriu portas importantes internacionalmente. Mas também houve momentos em que algumas pessoas só viam a imagem e não viam a mulher trabalhadora por trás dela.”
“Entendi que meu maior desafio era provar que eu podia construir uma carreira muito mais ampla. Eu não queria que minha história se limitasse a uma única fotografia ou a um momento específico. Queria mostrar que eu podia crescer e me reinventar.”
“Costumo dizer que uma fotografia pode abrir portas, mas não sustenta uma carreira por mais de quinze anos. O que realmente mantém uma pessoa relevante é a disciplina, o conhecimento e a capacidade de adaptação às mudanças […].”
“Muitas de nós fomos chamadas de ‘musas’. Embora eu respeite esse termo por fazer parte de uma fase importante da minha história, também acredito que, durante anos, se falou mais sobre nossa aparência do que sobre nossas conquistas. Não nego meu passado e sou profundamente grata por tudo o que vivi. Mas minha história não terminou ali”, ponderou.
Emoção com a trajetória
Larissa comenta o orgulho durante toda a trajetória, em específico ao currículo conquistado ao decorrer dos anos de carreira.
“Do que mais me orgulho não é de ter me tornado um fenômeno global, mas de tudo o que construí depois. A beleza pode abrir portas, mas não sustenta uma carreira por mais de uma década. Talvez a maior prova disso seja a minha própria história. Em 2010, o mundo viu uma jovem paraguaia torcendo apaixonadamente pela sua seleção nacional nas arquibancadas. Em 2026, essa mesma mulher retornará a uma Copa do Mundo como jornalista credenciada. Para mim, essa é a verdadeira vitória”.









