Fifa: Hollande espera "limpeza incontestável" na organização de campeonatos

As reações surgem depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da Fifa

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28 MAI 201511h20

O presidente francês, François Hollande, apelou hoje à ética desportiva, dentro e fora dos estádios, para garantir “uma limpeza incontestável” dentro das organizações que coordenam grandes competições desportivas.

“Considero que a ética desportiva não se refere apenas ao que se passa no gramado. Há uma ética nas atribuições de competições e é isso que está sendo questionado”, disse Hollande quando questionado sobre o escândalo de corrupção na Fifa.

Sem mencioná-lo explicitamente, o chefe de Estado francês fez referência aos Jogos Olímpicos de 2024, que Paris pretende sediar. Além disso, a França será a anfitriã do Europeu de Futebol de 2016 e do Mundial de Futebol Feminino de 2019.

“Somos candidatos a grandes competições. Tenho confiança nas instituições que vão tomar essas decisões, que devem esclarecer o que se passou nos anos anteriores e a Justiça verificar o que aconteceu”, justificou o governante francês, reiterando a ideia de que as organizações têm de ser “incontestáveis”.

As reações surgem depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da Fifa, acusando-os de conspiração e corrupção nos últimos 24 anos, num caso que envolve subornos no valor de US$ 151 milhões.

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira (Foto: Divulgação)

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da Fifa, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman e que é também presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Entre os demais indiciados estão o brasileiro José Maria Marin, membro do Comitê da Fifa para os Jogos Olímpicos Rio 2016, o costarriquenho Eduardo Li; Jack Warner, de Trinidad e Tobago; o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Cayman.

A Fifa suspendeu provisoriamente 12 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, Aaron Davidson e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comitê Executivo da Fifa e supostamente informante da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude.

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira, num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da Fifa, à qual concorrem o atual presidente, o suíço Joseph Blatter, e Ali bin Al Hussein, da Jordânia.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação sobre a escolha das sedes dos Mundiais de 2018 e 2022, a Rússia e o Catar, respectivamente.