Fifa demonstra preocupação com situação do futebol feminino no Brasil

A entidade considera que o Brasil precisa adotar um calendário maior para o futebol feminino e criar logo uma liga para a modalidade

Comentar
Compartilhar
19 MAI 201517h00

A Fifa demonstrou nesta terça-feira sua preocupação com a situação do futebol feminino no Brasil. De acordo com a cubana Mayi Cruz Blanco, gerente sênior da entidade para desenvolvimento do futebol feminino, a modalidade carece de melhor planejamento no País tanto em questões de infraestrutura quanto de calendário. A Fifa investirá US$ 15 milhões (cerca de R$ 45,4 milhões) na modalidade no Brasil até 2018, por meio do Fundo de Legado criado com a Copa do Mundo do ano passado.

O valor representa 15% do total do fundo, e será aplicado na construção de CTs nos 15 estados brasileiros que não foram sedes da Copa. Para a Fifa, porém, apenas o investimento em estrutura não será suficiente. A entidade considera que o Brasil precisa adotar um calendário maior para o futebol feminino e criar logo uma liga para a modalidade.

"É necessário o desenvolvimento de uma liga. Falamos isso porque gostaríamos de ver uma liga aqui no Brasil para ser uma referência para o mundo", afirmou Mayi. "Existe muito potencial para isso."

A dirigente não poupou a CBF. "Para nós, da Fifa, é uma prioridade que exista uma liga forte no Brasil. Evidentemente faz falta um compromisso da CBF, dos clubes, do governo e patrocinadores. Uma liga não é fácil, mas é muito importante."

As declarações foram dadas na sede da CBF durante o Seminário de Desenvolvimento do Futebol Feminino (Foto: Divulgação)

Para Mayi, a ausência de um calendário maior pode ser uma das razões de a seleção feminina ainda não ter conquistado um título mundial, mesmo que já tenha chegado perto. "Os países fortes têm uma liga forte, e vemos êxito. O Brasil está muito perto de ganhar o Mundial, mas nunca chegou. Não ter uma liga tão forte pode ser um dos fatores que impactam nesse resultado."

Atualmente, o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino acontece durante dois meses. Há ainda a disputa da Copa do Brasil da modalidade, e alguns poucos estados têm competições regionais. A CBF e o governo federal estudam ampliar o calendário para que ele tenha ao menos dez meses de atividades. Mas isso só será possível a partir do próximo ano.

"O planejamento que se faz, para ter um calendário efetivo de dez meses, tem que ser pensado para o próximo ano, já que nós estamos (quase) em junho e dificilmente conseguiríamos reverter um planejamento já traçado. Acho que para 2016 podemos começar a pensar seriamente", ponderou Rogerio Hamam, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte.

FUNDO - O dinheiro que será investido pela Fifa será utilizado na construção de "mini CTs", como afirmou Marco Aurélio Cunha, que assumiu recentemente o cargo de coordenador de futebol feminino da CBF.

O evento contou com dirigentes de federações e da CBF, além do técnico Vadão, que comanda a seleção feminina, e ex-atletas (Foto: Divulgação)

"São campos de futebol, dois campos sintéticos e um terceiro de gramado, além de vestiário e departamento médico. Uma estrutura de mini-CT", disse Cunha. O dirigente, porém, declarou ter ficado "espantado" quando descobriu que, dos US$ 15 milhões, 40% serão descontados em impostos.

"Foi isso que ouvi, e para meu susto pessoal. Não é possível que esse dinheiro tenha que passar por esse crivo de imposto, sendo que ele é exatamente para fomentar o esporte. Acho que o governo vai olhar isso de outra forma, porque não faz sentido. Ou então que ele seja devolvido imediatamente para esse fomento. Não tem cabimento ir para outra área", afirmou.

As declarações foram dadas na sede da CBF durante o Seminário de Desenvolvimento do Futebol Feminino. O evento contou com dirigentes de federações e da CBF, além do técnico Vadão, que comanda a seleção feminina, e ex-atletas.