Esquiva vê demora do Ministério e sonha repetir títulos de Popó

Desde que conquistou a prata em Londres, o brasileiro passou a receber uma série de convites para atuar profissionalmente

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03 DEZ 201318h32

Premiado com a prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, Esquiva Falcão abriu mão da chance de lutar na próxima edição do evento para atuar profissionalmente. Ele atribuiu a decisão em parte à demora do Ministério do Esporte para conceder o benefício da Bolsa Pódio e citou Acelino “Popó” Freitas ao falar sobre o sonho de ser campeão mundial.

Pelo Bolsa Pódio, programa criado pelo governo federal voltado aos Jogos Olímpicos, Esquiva esperava receber aproximadamente R$ 15 mil mensais. Enquanto aguardava, assediado por empresários interessados em levá-lo ao boxe profissional, o medalhista acompanhava notícias sobre a concessão do benefício a outras modalidades.

“Primeiro, preferiram dar o Bolsa Pódio para o judô, atletismo, vôlei. Os esportes queridinhos do Brasil, do Ministério. Depois do vôlei, do basquete e do atletismo, vem o boxe. Sempre por último. É normal. Demoraram e acabaram perdendo os irmãos Falcão”, reclamou Esquiva na tarde desta terça-feira, em São Paulo.

Desde que conquistou a prata em Londres, o brasileiro passou a receber uma série de convites para atuar profissionalmente. Antes de tomar uma decisão sobre o próprio futuro, ele viu o irmão Yamaguchi, também premiado nas Olimpíadas, assinar com a Golden Boy, do astro norte-americano Oscar de la Hoya.

Esquiva assinou um contrato de cinco anos, com possibilidade de renovação por mais dois, com a Top Rank (Foto: Divulgação)

“Com a Bolsa Pódio, estaria bem. Mas demorou muito e escolhemos outro caminho. Se eu continuasse na decisão entre o amador e o profissional, nunca daria resultado. Precisava fazer uma opção. Até quando ficaria esperando pelo Bolsa Pódio? Falaram que estava perto de sair, mas até agora ninguém recebeu”, disse.

Cansado de esperar, Esquiva assinou um contrato de cinco anos, com possibilidade de renovação por mais dois, com a Top Rank, empresa responsável por agenciar o astro filipino Manny Pacquiao. Apesar da animação com as novas perspectivas, ele admite que foi difícil abrir mão da chance de lutar em 2016.

“Já fiz uma coisa grande nas Olimpíadas ao ganhar uma medalha para o Brasil. Agora, tenho que aproveitar o momento pensando em mim mesmo e na minha família”, disse Esquiva, resignado. Sem revelar os valores do acordo, ele limitou-se a dizer que foi uma proposta "generosa" e, ao falar sobre seus objetivos, citou Popó, dono de quatro títulos mundiais.

“Escolhi o boxe profissional e acho que tenho uma grande oportunidade de chegar longe. Estou em busca de algo maior para o Brasil. Não quero ser um atleta que brilha de quatro em quatro anos, mas sim ficar marcado para sempre. Vou dar o máximo para tentar igualar o Popó como campeão do mundo”, disse.