Empresas reiteram segurança em obra do Itaquerão

Na segunda, as obras de instalação das arquibancadas provisórias dos setores Norte e Sul do estádio foram interditados pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de SP

Comentar
Compartilhar
01 ABR 201417h43

As empresas responsáveis pelas obras do Itaquerão, no qual dois acidentes causaram três mortes nos últimos meses, reiteraram nesta terça-feira que os operários trabalhavam em segurança. Na segunda, as obras de instalação das arquibancadas provisórias dos setores Norte e Sul do estádio foram interditados pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo por falta de segurança.

A liberação dos setores para a continuidade do trabalho depende da instalação de grades e redes de proteção para evitar novas quedas na obra, como a que causou a morte do operário Fábio Hamilton da Cruz, de 23 anos, na manhã de sábado. Além disso, a Fast Engenharia, responsável pela montagem das arquibancadas provisórias, deve encaminhar à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) documentos que comprovem a segurança dos trabalhadores.

A empresa prometeu enviar esses documentos ainda nesta terça. "Após a interdição dos setores norte e sul das arquibancadas provisórias da Arena Corinthians, a Fast encaminhará, até o final da tarde de hoje, todos os documentos solicitados pelo DRT para comprovar a capacitação dos funcionários e a implementação de todos os procedimentos de segurança necessários para a realização da obra", avisou a Fast Engenharia, em nota.

Em conjunto com a WDS Construções, empresa subcontratada do qual Fábio Hamilton Cruz era funcionário, a Fast reiterou que cumpre todas as exigências de segurança. "Todos os itens de segurança utilizados em todas as obras, inclusive na Arena Corinthians, estão de acordo com as normativas vigentes no Brasil. A Fast aguarda, após a análise dos documentos pelo DRT, a liberação imediata do local para que seja possível a entrega da obra no prazo acordado".

As empresas responsáveis pelas obras do Itaquerão reiteraram que os operários trabalhavam em segurança (Foto: José Patrício/Estadão Conteúdo)

As declarações da empresa rebatem as acusações de familiares da vítima. No enterro de Fábio, no domingo, parentes afirmaram que ele não tinha segurança e nem treinamento para realizar a atividade a oito metros de altura. Disseram ainda que o operário receberia incentivo financeiro para acelerar a atividade e trabalhar por mais horas.

Mesmo sem vínculo com a instalação das arquibancadas provisórias, a Odebrecht emitiu nota para negar qualquer irregularidade na jornada de trabalho dos operários. "O Odebrecht Infraestrutura informa que a jornada de trabalho nas obras da Arena Corinthians atende à legislação, tendo sido definida em comum acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil Pesada".

"A jornada segue ainda o termo de compromisso assinado com o Ministério do Trabalho e Emprego, em 19 de dezembro de 2013, por meio do qual a empresa também se comprometeu a contratar 80 novos trabalhadores, tendo inclusive superado esse número de contratações, o que reforça o compromisso institucional da Odebrecht em colaborar com o MTE", registrou e empresa responsável pela construção do Itaquerão.

A expectativa é de que o estádio seja liberado nesta quarta-feira, atendidas às exigências da Delegacia Regional do Trabalho. Esta nova interdição deve atrasar ainda mais a entrega da arena para a Fifa. A obra deveria ter sido finalizada em 31 de dezembro, mas o prazo foi adiado para 15 de abril, depois que dois operários morreram em um outro acidente, ocorrido em 27 de novembro do ano passado, após a queda de um guindaste que erguia peças da cobertura. Na ocasião, a obra ficou parada cinco dias.