De verde, Goiás tira invencibilidade e paciência na casa palmeirense

O Palmeiras não perdia no Palestra Itália desde que levou 1 a 0 do Corinthians, em 8 de fevereiro

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24 MAI 201513h21

O palmeirense já parece acostumado com jogos às 11 da manhã e esgotou os ingressos à disposição, mas teve um domingo completamente incomum. O time, vestido todo de branco, permitiu ao Goiás que usasse verde, e foi da equipe que honrou a cor esmeraldina a festa pela vitória por 1 a 0, quebrando um significativo período de invencibilidade dos comandados de Oswaldo de Oliveira em casa. E tirando a paciência da torcida, que vaiou o time e xingou o técnico.

O Palmeiras não perdia no Palestra Itália desde que levou 1 a 0 do Corinthians, em 8 de fevereiro. Desde então, foram dez partida sem derrota como anfitrião, com nove vitórias e um empate. Neste domingo, porém, a equipe mostrou que não sabe fazer gols e foi punido em grande jogada de Bruno Henrique que culminou no gol de Péricles, aos 31 minutos do segundo tempo.

O Verdão, que escolheu ser branco, ainda teve um jogador a mais desde que levou o gol, já que Bruno Henrique subiu nas escadas de acesso à torcida do Goiás e levou cartão vermelho. Mas nada ajudou o Palmeiras, que ainda perdeu Victor Ramos, expulso nos acréscimos.

O Palmeiras ampliou um longo jejum de vitórias em Brasileiros: não ganha uma partida pela competição desde 2 de novembro, quando bateu o Goiás, há quase sete meses. Neste ano, a equipe de Oswaldo só somou dois pontos em três rodadas e, no próximo compromisso pelo torneio, visitará o Corinthians no próximo domingo, em Itaquera.

Antes, volta a jogar em casa às 22 horas (de Brasília) na quarta-feira, recebendo o ASA pela Copa do Brasil, mesmo dia em que o Goiás enfrenta o Ituano, às 19h30. No Brasileiro, o time de Hélio dos Anjos soma sete pontos e será anfitrião diante do Grêmio no próximo domingo.

Após saída de Zé Roberto, Valdivia fica com responsabilidade de armar, mas novamente não corresponde (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

O jogo

Sem Rafael Marques, cortado até do banco de reservas por conta de gripe e febre, Oswaldo de Oliveira acabou escolhendo um time com posicionamento melhor em campo. Zé Roberto acabou deixando a lateral esquerda com Egídio e formou um meio-campo marcador e com qualidade na saída de bola, revezando-se com Robinho na função de encostar em Valdivia, escolhido como principal armador.

Mas a grande arma palmeirense era no substituto de Dudu, suspenso pelo Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP). Kelvin quase não errou, acertando todas as tentativas de drible e ouvindo a torcida gritar seu nome. O problema é que tinha Leandro Pereira como alvo de seus passes e Valdivia não acertava praticamente nada.

Do outro lado, o Goiás prendia seus laterais e três volantes na intermediária defensiva, com o meia Arthur e o atacante Erik voltando para ajudar na marcação e só Bruno Henrique segurando algum zagueiro do Verdão. Além da retranca, o Verdão teve que superar o confuso árbitro Marcelo de Lima Henrique, que passou a distribuir cartão a quem falava com ele – Valdivia foi o primeiro advertido e não parou de persegui-lo.

O jogador mais caro do elenco palmeirense mais atrapalhava do que ajudava, já que falhava em quase todos os passes. Estava tão desligado que não percebeu uma bola que ia aos seus pés e forçou o zagueiro Victor Ramos a tomar cartão por falta. Mas o time não precisava mais dele. Kelvin ajudava e contagiava o time com suas arrancadas, estimulando as passagens de Lucas e dando opção na movimentação intensa de Robinho, além de facilitar o toque de bola promovido por Zé Roberto, dono do meio-campo.

O Goiás não conseguia marcar, mas tinha Leandro Pereira como aliado. O centroavante, autor de metade dos quatro gols do reserva Cristaldo, mostrou toda a sua deficiência técnica. Falhava sempre que precisava dominar alguma bola e, quando finalizava, nem assustava o goleiro Renan, facilitando a vida dos visitantes.

O desperdício de chances quase foi punido com um gol do Goiás, aos 39, quando Fernando Prass errou na saída de bola, mas se jogou nos pés de Bruno Henrique para evitar o gol. Mas havia a esperança de que o volume de jogo, passando quase todo o primeiro tempo no campo adversário, viraria gol depois do intervalo.

Não foi o que aconteceu. O Verdão saiu dos vestiários desanimado ou cansado pela alta intensidade da etapa inicial, sob o sol da manhã de domingo. Logo aos três minutos do segundo tempo, Valdivia perdeu uma bola que não foi às redes de Prass porque Victor Ramos colocou o corpo em seu caminho. Aos 15, Rafael Forster isolou ao receber livre, na pequena área.

Diante da ineficiência do seu time, Oswaldo cansou de Leandro Pereira, trocando-o por Cristaldo, mas acabou levando susto de um dos jogadores que mais inspira confiança: Fernando Prass quis sair da área com a bola dominada, a perdeu para Bruno Henrique e Vitor Hugo salvou o goleiro. A torcida já mostrava apreensão com o que acontecia neste domingo.

O lance pareceu acordar o time, mas não eficiência. Kelvin não conseguiu alcançar bola escorada por Vitor Hugo e Cristaldo acertou a trave em cabeçada aos 26. A punição, enfim, apareceu, e pouco depois. Aos 31, Bruno Henrique foi de uma lateral a outra do campo driblando e vencendo divididas até limpar Fernando Prass e rolar para Péricles tocar no gol vazio.

Fundamental no gol, Bruno Henrique subiu as escadas de acesso à torcida do Goiás na comemoração e, como já tinha cartão amarelo, acabou expulso. Oswaldo, que já tinha trocado Zé Roberto pelo atacante Leandro, abriu mão de Gabriel, seu único volante, para colocar Alan Patrick em campo. Mas só teve um time que ficava com a bola, sem nenhuma qualidade para colocá-la no gol. Porém, teve nervosismo, já que Victor Ramos foi expulso nos acréscimos sob alegação de agressão.