Cheerleading: Equipe do Ceará viaja mais de 3 mil km para brilhar no Arnold Sports Festival

Após sucesso no Arnold Sports Festival, equipe foca em profissionalização e busca de novos talentos no Nordeste

Equipe de cheerleading posando para a foto

Entenda como a modalidade está conquistando espaço em escolas e universidades/Júlia Macêdo

Para quem cresceu assistindo a filmes e séries americanas com equipes de cheerleading, o último dia do Arnold Sports Festival, neste domingo (26), foi uma oportunidade de ver o esporte de perto.

O campeonato da modalidade foi um dos eventos de maior visibilidade do festival. Entre as competidoras estava a Infantaria de Elite, a primeira equipe esportiva de cheerleading do Ceará, que viajou mais de 3 mil km para participar da competição.

Nina Andrade, integrante do grupo, detalha o início da trajetória e os desafios de uma modalidade que ainda busca reconhecimento no Brasil. “O grupo começou quando fomos chamadas para animar um time de basquete. No início, não fazíamos ideia de que era possível transformar aquilo em esporte. Acabamos gostando e seguimos com o projeto”, relata.

A transição veio naturalmente para o futebol americano e, em seguida, para o cheerleading competitivo. “Conhecendo mais desse mundo, eu descobri que era realmente um esporte. O nosso time foi para a linha esportiva e competitiva, e aí a gente começou a aprender mais e a ir para os eventos competir. Virou uma paixão”, relata uma das integrantes da equipe.

Os desafios de sair do Nordeste

Participar de competições em São Paulo exige planejamento financeiro e logístico. Para custear hospedagem, alimentação e transporte, o time realiza eventos e faz uma espécie de “caixa coletivo”. Mas, segundo os atletas, o maior obstáculo é outro.

“O perrengue maior eu acho que é treinar um esporte que ninguém entende que é um esporte ainda”, desabafa a atleta. A falta de reconhecimento, somada à distância e aos custos, torna a jornada ainda mais desafiadora.

Para muitos, anunciar que se tornaram cheerleaders ainda causa estranhamento. A imagem do esporte ainda é vista por muitos como algo distante, restrito aos Estados Unidos. No entanto, a integrante da equipe já havia trilhado caminhos fora do convencional.

“Eu sempre pratiquei esportes diferentes. Já pratiquei parkour, pratiquei kung fu. Quando eu fui para o cheerleading, foi mais um esporte diferente. As pessoas entenderam. Eu fui explicando e eles entenderam”, conta.

Sonho de ter um ginásio próprio

Hoje, a equipe treina em espaços cedidos por academias de crossfit e estúdios de dança. Mas o plano para os próximos três anos é ambicioso: montar um ginásio exclusivo para o cheerleading em Fortaleza.

“A gente pretende montar um ginásio mesmo, focado no cheerleading. Queremos dar aula, espalhar a palavra do cheer para mais gente conhecer e fortalecer a modalidade no Nordeste”, planeja a atleta.

Investimento e crescimento

Sobre o apoio financeiro e institucional, a realidade ainda é de conquistas graduais. Embora o incentivo público e privado seja mais escasso no Ceará, já há exemplos de atletas que conseguiram bolsa-atleta no sudeste. Alguns times mais estruturados contam com patrocínio para uniformes de treino e competição.

“É um mundo novo, mas já tem uma bolha grande e está se fortalecendo cada vez mais”, avalia a integrante, otimista com o futuro da modalidade no país.

Cheerleading é um esporte?

Nas últimas duas décadas, o cheerleading deixou de ser apenas um símbolo das lideranças de torcida para se consolidar como um esporte de alto rendimento no Brasil. Impulsionada inicialmente por equipes universitárias, a modalidade hoje conta com clubes federados e um calendário robusto de campeonatos nacionais sob a chancela da Confederação Brasileira de Cheerleading & Dança (CBCD).

Em suma, a entidade regula desde o sideline — o apoio tradicional à beira do campo — até o cheerleading competitivo. O amadurecimento técnico do país ficou evidente em 2023, quando a seleção brasileira conquistou medalhas inéditas de prata e bronze no mundial, consolidando o esporte em escolas e universidades de todo o país.