Barça desconfia de Audiência Nacional e 'caso Neymar' vai à Catalunha

Segundo o jornal Mundo Deportivo, a justificativa dos fiscais para transferirem o julgamento a Barcelona é que as quantias fraudulentas resultantes da contratação estavam na conta do clube

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22 MAI 201512h26

Através de um comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, o Barcelona revelou estar descontente com a postura ‘incompetente’ do Tribunal Central de Instrução na resolução das questões sobre a contratação de Neymar. Por conta da manifestação do clube, ficou acordado que o recurso sobre as penas de Josep Maria Bartomeu, Sandro Rosell, e do próprio clube será julgado em um tribunal da Catalunha.

Assim, a Audiência Nacional concordou em delegar o caso à Justiça catalã. Os recursos do ex e atual presidentes do clube foram registrados na ata e serão avalizados em Barcelona. Em caso de absolvição, Bartomeu não precisará cumprir os dois anos de prisão, nem Rosell os sete, que lhe foram recomendados nos autos.

Segundo o jornal Mundo Deportivo, a justificativa dos fiscais para transferirem o julgamento a Barcelona é que as quantias fraudulentas resultantes da contratação estavam na conta do clube, e que qualquer movimentação bancária poderia ser melhor monitorada da capital da Catalunha. Eles acrescentam que o que mais incomoda à Justiça é o resultado da conduta dos blaugranas, que causou perdas econômicas imensuráveis.

Após a Audiência Nacional se declaram incompetente ante o julgamento do caso, o Barcelona reforçou a “absoluta confiança nos tribunais e no comportamento de seus responsáveis, que sempre confiaram sua defesa para a correta aplicação do direito”.

O Barcelona revelou estar descontente com a postura ‘incompetente’ do Tribunal Central de Instrução na resolução das questões sobre a contratação de Neymar (Foto: Divulgação)

Relembre o caso

Neymar se transferiu ao Barça em julho de 2013. Os valores não foram divulgados na época, mas o então diretor Josep Maria Bartomeu revelou meses depois que o negócio custou 57 milhões de euros (cerca de R$ 183 mi). Este valor passou a ser adotado como oficial até mesmo pelo então presidente do clube azul-grená, Sandro Rosell.

Em janeiro do último ano, porém, um sócio do clube catalão acusou o mandatário de desviar 40 milhões de euros (cerca de R$ 128 mi, na cotação atual) a uma empresa do pai de Neymar durante a transação. Ainda segundo a acusação, devem ser contabilizadas as luvas recebidas pelo craque, as parcerias sociais e de marketing e o acordo de prioridade com o Santos.

Tudo isso elevaria os valores da transferência aos 86,2 milhões de euros (R$ 277,5 mi). A polêmica está sendo investigada pela Justiça espanhola, e fez com que Sandro Rosell renunciasse à presidência do clube de Camp Nou.