O Arnold Sports Festival South America 2026, que começou nesta sexta-feira (27) e contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas, vai muito além da exposição de marcas e dos lançamentos do setor fitness. A organização do evento decidiu priorizar o impacto social ao investir na democratização de atividades físicas pouco conhecidas. Essa escolha acontece mesmo sem a garantia de um retorno financeiro direto para a feira.
Essa estratégia segue uma diretriz do próprio criador do festival. Durante coletiva concedida ao Grupo GMG, Ana Paula Leal Graziano, CEO da Savaget Group e sócia do Arnold, explicou o direcionamento.
O foco principal consiste em atrair jovens para práticas além daquelas mais convencionais. O objetivo final é promover uma mudança social profunda, que começa na base esportiva e atinge toda a comunidade ao redor do atleta.
A mudança que atinge toda a família
Muito além da popular musculação, ótima para quem quer emagrecer, Ana Paula destacou o poder de transformação que o acesso a novas modalidades proporciona para os mais jovens. Muitas vezes, as crianças não se adaptam aos esportes mais populares, como o futebol.
No entanto, ao circular pelos pavilhões do evento, elas encontram a chance de descobrir afinidade com outra atividade física. “Quando ela inicia nisso, ela não muda a vida dela, ela muda a vida da família dela”, afirmou a executiva ao nosso jornal.
Essa visão de pertencimento direciona todas as decisões estruturais do festival. Desse modo, a organização reserva um espaço imenso, de 10 mil metros quadrados, exclusivamente para abrigar essas competições alternativas.
Entre as 35 práticas com menor apelo midiático presentes no evento, destacam-se modalidades como o sumô, a luta de braço e o powerlifting.
Investimento que desafia a lógica do mercado
Destinar uma área tão extensa para esportes menos comerciais gera surpresa e questionamentos no setor de grandes eventos.
Afinal, abrir mão de espaço de vendas para abrigar torneios que não geram lucro imediato parece uma tática arriscada para investidores tradicionais. “O concorrente fala: ‘Vocês estão loucos?’”, relatou Ana Paula durante a entrevista.
Apesar das críticas, a diretoria do festival assume os custos operacionais para garantir a realização desses campeonatos. A justificativa para essa ação é bem simples.
Diversas confederações esportivas não possuem os recursos financeiros necessários para viabilizar as disputas sozinhas. Consequentemente, o apoio logístico e financeiro da feira se torna o elemento essencial para manter essas categorias vivas no país.
O pedido inusitado de Arnold Schwarzenegger
A postura de priorizar a juventude tem origem em um pedido claro do próprio Arnold Schwarzenegger. Logo no início das negociações para trazer o evento ao Brasil, ainda no ano de 2012, ele deixou uma regra inegociável.
“Ele falava uma coisa que nunca mais saiu da nossa cabeça: nunca deixe de colocar esportes”, revelou a sócia da marca.
Além disso, o astro fez uma exigência bastante emblemática na edição carioca do ano seguinte. Ele solicitou que a cerimônia de abertura fosse protagonizada por 30 crianças, dispensando a presença de autoridades políticas no palco principal. Portanto, essa atitude consolidou a essência da feira em valorizar a formação dos futuros atletas.
Por fim, a organização também mantém um compromisso firme com o avanço acadêmico. O festival oferece áreas dedicadas aos profissionais e estudantes de educação física, saúde e nutrição. Assim, a marca busca assegurar que o crescimento do mercado esportivo caminhe lado a lado com a base científica e com a democratização do acesso.
