Poupança é principal destino da 2ª parcela do 13º salário

Em anos anteriores, o gasto com presentes liderou o ranking do destino da segunda parcela do benefício

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13 DEZ 201320h08

Escaldado do consumo excessivo dos últimos anos que levou à escalada da inadimplência, o brasileiro está mais cauteloso neste fim de ano. Pela primeira vez o principal destino da segunda parcela do 13º salário será a poupança, revela pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em parceria com o Instituto Ipsos.

A enquete ouviu mil pessoas em 70 cidades entre 19 de novembro e 1º de dezembro, e revela que 32,6% pretendem poupar esse dinheiro, enquanto 30,4% planejam comprar presentes. Desde 2009, quando a pesquisa começou a ser realizada pela ACSP, é a primeira vez que a poupança é o principal destino da segunda parcela do 13º salário.

Em anos anteriores, o gasto com presentes liderou o ranking do destino da segunda parcela do 13º. Em alguns anos, como em 2010 e 2012, o gasto com presentes dividiu o pódio com o pagamento de dívidas. "Esse resultado nos surpreendeu", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. Ele observa que há muitas incertezas em relação à economia em 2014, e isso pode ter afetado a confiança do consumidor e ampliado a cautela. "Se essa intenção se confirmar, a poupança poderá bater novo recorde de captação. Em novembro isso já ocorreu."

Pela primeira vez o principal destino da segunda parcela do 13º salário será a poupança (Foto: Arquivo/DL)

Primeira parcela

Se o resultado da intenção de gasto da segunda parcela do 13º salário for combinado com a pesquisa do destino da primeira parcela, sobrarão poucos recursos para consumo neste fim de ano, reafirmando as projeções de várias entidades ligadas ao comércio varejista de que este será um Natal moderado.

Na enquete feita na última semana de outubro, também pela ACSP em parceria com o Instituto Ipsos, 24,5% dos entrevistados indicaram que o principal uso da primeira parcela do 13.º salário seria o pagamento de dívidas, seguido pela poupança (20,4%) e pelas compras de presentes (18,4%).

No caso da primeira pesquisa, Alfieri explica que esse resultado reflete o movimento de antecipação de renegociação de dívidas, já iniciado no primeiro semestre, para que a segunda parcela fosse destinada ao consumo. Mas não foi isso que a pesquisa mostrou em relação ao uso da segunda parcela do 13º.

Apesar de a cautela do consumidor representar um breque no consumo no melhor período de vendas para o varejo, Alfieri vê um lado bom nesse resultado. Com esse "colchão" de recursos poupados, o cenário para o varejo em 2014 poderá ser mais positivo e com menor risco de calote nas vendas a prazo.