Com o avanço da medicina, os remédios se tornaram cada vez mais frequentes em nosso cotidiano. Nesse contexto, alguns deles podem acabar esquecidos dentro de um armário ou até na mochila e o prazo de validade acabar vencendo. E muitos podem se perguntar: é seguro tomar remédio vencido? E a resposta é clara: Não!
Segundo a agência regulatória americana, a Food and Drug Administration (FDA), não se deve tomar os medicamentos após o vencimento.
“Depois que a data de validade passa, não há garantia de que o medicamento será seguro e eficaz”, diz a agência.
Entretanto, especialistas afirmam que isso não significa riscos mortais ou necessidades de ir com urgência ao hospital.
A grande maioria deles perde sua eficácia por conta de mudanças na composição química conforme o tempo passa.
Mas existem riscos à saúde
Ainda que a maioria dos remédios apenas perca eficácia, vale lembrar que alguns podem se tornar tóxicos quando passam de sua data de validade e podem causar alergias, provocar intoxicações, náuseas, vômitos, lesões gástricas e, em casos raros, causar até choque anafilático.
A FDA também explica que “certos medicamentos vencidos correm risco de crescimento bacteriano e antibióticos sub potentes podem não tratar infecções, levando a doenças mais sérias e resistência aos antibióticos”.
Outro agravante é que os medicamentos que exigem uma dosagem mais precisa podem ser afetados também pela falta de eficácia.
A insulina, por exemplo, não deve ser usada após a data de validade, pois a sua queda de eficácia pode afetar o controle dos níveis de glicose no sangue, aumentando o risco de hiperglicemia.
Como o descarte dos medicamentos deve ser realizado
Segundo o Ministério da Saúde, o Governo Federal regularizou, através de uma portaria de 2020, o descarte correto de medicamentos em drogarias e farmácias.
Os estabelecimentos devem fornecer e manter pelo menos um ponto fixo de recebimento de medicamentos para descarte a cada 10 mil habitantes.
Isso serve para diminuir o índice do descarte inadequado de medicamentos, que prejudica o meio ambiente.
Caso jogados fora de forma errada, os remédios provocam a contaminação das águas e do solo, comprometendo a qualidade de vida.
Essa regulamentação também determina que, antes do envio dos recipientes, as farmácias devem registrar o peso dos produtos armazenados temporariamente no Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos.
Remédios comuns estão afetando o meio ambiente
Três remédios foram detectados no mar da Baixada Santista e são apontados como responsáveis por contaminar a água. Em um projeto apoiado pela FAPESP, o pesquisador Camilo Seabra, em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Santa Cecília, identificou o acúmulo de ibuprofeno, paracetamol e diclofenaco, entre outros medicamentos, além de cocaína.
Os pesquisadores detectaram a presença dos remédios, no ano de 2017, em amostras de água coletadas na região.
A presença da cafeína também foi detectada e trata-se de um indicador tradicional de contaminação porque, além de ser consumida por meio de bebidas como café, chá e refrigerantes, está presente em diversos medicamentos.






