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'Tá pago': estudo britânico diz que sempre postar fotos na academia indica transtorno mental

Psicólogos avaliaram que o intuito dessas publicações raramente é o de inspirar outras pessoas, mas sim buscar validação externa

Jeferson Marques

Publicado em 23/01/2026 às 12:42

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Homem tira foto na academia para postar nas redes sociais / Imagem ilustrativa

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Basta abrir qualquer rede social para ser bombardeado por uma sequência interminável de fotos em frente ao espelho da academia, registros de relógios marcando calorias e a clássica legenda "tá pago". O hábito se tornou tão comum que parece apenas mais uma parte da rotina digital moderna. No entanto, um estudo conduzido pela Universidade de Brunel, em Londres, sugere que essa necessidade constante de documentar o esforço físico pode esconder traços de personalidade específicos, muito além da simples busca por uma vida saudável.

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A pesquisa, que analisou o comportamento de mais de 500 usuários do Facebook, encontrou uma correlação direta entre o número de postagens sobre dietas e rotinas de exercícios e traços de narcisismo. Segundo os psicólogos, o objetivo principal dessas publicações raramente é inspirar os outros, mas sim buscar validação externa. Cada "curtida" funciona como um aplauso digital, alimentando o ego de quem posta e reforçando a necessidade de continuar exibindo o corpo e as conquistas físicas.

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A busca incessante por validação

O estudo britânico aponta que os "narcisistas" utilizam as redes sociais como uma vitrine para suas conquistas, pois dependem da admiração alheia para regular sua autoestima. Ao contrário do que se imagina, isso não significa necessariamente que a pessoa tenha um transtorno mental grave, mas indica uma dependência da aprovação pública. O feedback positivo gerado pelos comentários e reações cria um ciclo vicioso: a pessoa posta, recebe elogios sobre sua disciplina ou aparência, sente-se validada e, consequentemente, posta ainda mais.

Curiosamente, os resultados mostraram que essas postagens realmente recebem mais interações do que a média. No entanto, os pesquisadores alertam que esse engajamento nem sempre é genuíno. Muitas vezes, amigos e seguidores curtem as fotos por polidez ou para manter a interação social, e não porque realmente apreciam o conteúdo repetitivo sobre a rotina fitness alheia.

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O outro lado da moeda

A pesquisa da Universidade de Brunel não se limitou apenas aos frequentadores de academia. O estudo também traçou paralelos com outros perfis de comportamento online. Enquanto os narcisistas focam em suas conquistas físicas, pessoas com baixa autoestima tendem a postar com frequência sobre seus relacionamentos amorosos, como uma forma de proteger a união e buscar segurança na percepção dos outros sobre o casal.

Já aqueles classificados como "conscienciosos" — pessoas organizadas, disciplinadas e focadas no dever — costumam publicar mais sobre seus filhos e a rotina familiar. O levantamento serve como um alerta para o modo como consumimos e produzimos conteúdo: muitas vezes, o que vemos na tela não é apenas um registro do dia a dia, mas um reflexo das carências e necessidades psicológicas de quem está por trás do celular.

Ao final, postar uma foto do treino não é um problema em si. A questão levantada pela ciência é a motivação oculta: você está compartilhando sua saúde ou apenas buscando o próximo aplauso para se sentir bem consigo mesmo?

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