Na época, o problema ocorreu em um dos trechos mais movimentados da região, / Prefeitura de Bertioga
Continua depois da publicidade
No auge do verão de 2026, um episódio chamou atenção no litoral paulista e expôs um contraste incômodo. Mesmo cercada por condomínios de alto padrão, a praia de São Lourenço, em Bertioga, chegou a ser considerada imprópria para banho devido à contaminação por esgoto.
Na época, o problema ocorreu em um dos trechos mais movimentados da região, entre o bairro Jardim São Lourenço e a sofisticada Riviera de São Lourenço, onde apartamentos podem ultrapassar R$ 10 milhões.
Continua depois da publicidade
Enquanto a Riviera se consolidou como um dos bairros mais valorizados do país, com sistema de saneamento privado considerado modelo, o Jardim São Lourenço enfrentava problemas históricos de infraestrutura.
No auge do verão de 2026, um episódio chamou atenção no litoral paulista e expôs um contraste incômodo. Reprodução/APRECESPAs falhas na rede de esgoto acabaram impactando diretamente a orla compartilhada. Na primeira semana de janeiro, a água do mar no trecho do Jardim São Lourenço foi classificada como imprópria pela CETESB, com presença elevada de coliformes fecais.
Continua depois da publicidade
O alerta acendeu preocupação inclusive entre frequentadores da Riviera, já que a poluição não respeita limites geográficos e pode se espalhar ao longo da praia.
Dias depois, a situação se agravou com o registro de um vazamento de esgoto que atingiu a rede de drenagem e acabou chegando ao mar. O episódio resultou em uma multa de R$ 100 mil aplicada à Sabesp pela Prefeitura.
A companhia afirmou, na ocasião, que o problema havia sido pontual, causado por obstrução na tubulação, e que foi resolvido com manutenção emergencial.
Continua depois da publicidade
Mesmo assim, o impacto levou moradores e a própria Riviera a adotarem medidas paliativas. Uma das mais simbólicas foi a instalação de uma mangueira para despejar cloro na água do córrego que deságua no mar, na tentativa de conter a contaminação.
Com o avanço do problema, ficou evidente que a origem era mais complexa. A situação estava ligada a um acordo antigo que previa a construção de três estações elevatórias de esgoto para suportar o crescimento da região.
O episódio resultou em uma multa de R$ 100 mil aplicada à Sabesp pela Prefeitura. BertiogaUma dessas estruturas nunca foi concluída, o que sobrecarregava o sistema existente, principalmente em períodos de chuva, quando a rede não suportava o volume e acabava transbordando.
Continua depois da publicidade
O impasse envolvia prefeitura, Sabesp e construtoras, com cada parte atribuindo a responsabilidade pela obra à outra. Enquanto isso, moradores denunciavam a falta de solução definitiva e os impactos diretos no meio ambiente.
Diante da gravidade, o Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento para apurar o caso e passou a cobrar um cronograma de obras para resolver o problema.
Moradores também se mobilizaram, reunindo assinaturas e pressionando autoridades para uma solução definitiva, diante de um cenário considerado inédito por frequentadores antigos da região.
Continua depois da publicidade