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Construído no século I, o anfiteatro romano perdeu uma parte significativa de sua estrutura após terremotos e reutilização de materiais ao longo da história
A fachada do Coliseu, em Roma, revela a assimetria que intriga visitantes: parte da estrutura externa desapareceu após um grande terremoto em 1349 / Unsplash/Atıf Zafrak
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O Coliseu, em Roma, é um dos monumentos mais visitados do planeta e um dos símbolos mais conhecidos da arquitetura antiga. No entanto, mesmo com Apesar de sua importância histórica, muitos visitantes notam um fator curioso: a parte de sua fachada externa parece estar quase "ausente". A explicação para esse fator está, na verdade, em uma combinação de terremotos, reutilização de materiais e transformações ocorridas ao longo de quase dois mil anos de história.
Construído no século I durante o auge do Império Romano, o anfiteatro foi idealizado pelo imperador Vespasiano e inaugurado em 80 d.C. por seu filho, Tito. Na época, a estrutura era conhecida oficialmente como Anfiteatro Flaviano, nome derivado da dinastia governante.
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Segundo especialistas em história e arquitetura romana, o nome “Coliseu” teria surgido posteriormente por associação ao Colosso de Nero, uma gigantesca estátua do imperador Nero que ficava localizada próxima ao anfiteatro.
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No momento de sua conclusão, o Coliseu apresentava dimensões ainda mais impressionantes do que as ruínas atuais sugerem. O edifício oval possuía cerca de 189 metros de comprimento, 156 m de largura e aproximadamente 48 m de altura. Do mesmo modo, a fachada externa era formada por quatro níveis, três deles com arcadas abertas que totalizavam 80 arcos em cada nível.
Toda a estrutura era revestida por blocos de mármore travertino, um material típico da arquitetura romana. Organizadas em diferentes ordens clássicas, as esculturas decorativas completavam o conjunto arquitetônico, dando um toque a mais de beleza.
Estima-se que o anfiteatro pudesse receber entre 50 a 65 mil espectadores, os quais assistiam a espetáculos públicos como combates de gladiadores, caçadas de animais exóticos e encenações de batalhas.
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O monumento foi erguido sobre parte do terreno da antiga Domus Aurea, o enorme palácio construído por Nero após o grande incêndio de Roma em 64 d.C. Ao ocupar esse espaço, o governo imperial procurou devolver à população uma área antes associada ao luxo privado do imperador.
Ao longo dos séculos, blocos de travertino que desabaram também foram reutilizados em outras construções da cidade, contribuindo para a aparência atual do monumento. Unsplash/David KöhlerA aparência atual do Coliseu, com uma lateral aparentemente “cortada”, é consequência, principalmente, de um grande terremoto ocorrido em 1349. Na época, o abalo sísmico provocou o colapso de parte da fachada externa, no lado sul do edifício.
Mesmo após o incidente, os blocos de pedra passaram a ser reutilizados em outras construções de Roma. Durante séculos, o anfiteatro funcionou praticamente como uma pedreira urbana.
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Documentos históricos indicam que pedras retiradas do Coliseu foram empregadas em obras importantes da cidade, incluindo partes da construção da Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Além disso, após o declínio do Império Romano, o edifício havia sido utilizado como fortaleza por famílias nobres, abrigos, oficinas e áreas de moradia, aspecto que também contribuiu para alterações na estrutura original.
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Embora diversas perdas estruturais, o anfiteatro permanece surpreendentemente preservado há centenas de anos. Um dos fatores decisivos para essa resistência consiste na aplicação do concreto romano, um recurso caracterizado pela durabilidade e capacidade de resistência temporal.
Um outro elemento implementado é o sistema de arcos e abóbadas, típicos da engenharia romana. Estes são responsáveis por distribuir de forma mais adequada o peso da construção, absorvendo impactos em geral - inclusive de terremotos.
A preservação do local ganhou impulso no século XVIII, momento no qual o papa Bento XIV declarou o Coliseu um local sagrado em memória de mártires cristãos. Essa decisão ajudou a conter a retirada de pedras, além de estimular iniciativas de conservação.
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Apesar de terremotos, reutilização de pedras e mudanças de uso ao longo de quase dois mil anos, o Coliseu permanece como um dos maiores símbolos da engenharia da Roma Antiga e é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1980. UnsplashNos dias atuais, o Coliseu integra o conjunto do centro histórico de Roma reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O título foi concedido em 1980 e, até hoje, o local recebe milhões de visitantes todos os anos, sendo uma referência de arquitetura, engenharia e beleza ancestral.
Mais do que uma ruína monumental, o edifício tornou-se um símbolo da própria história de Roma: uma construção que atravessou impérios, terremotos, mudanças religiosas e diferentes usos ao longo de quase dois mil anos.
*O texto contém informações dos portais Casa Vogue, UNESCO e Parco archeologico del Colosseo
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