Peter Scheuer, meteorologista brasileiro: ‘É um El Niño que vai ser tão forte que pode ser pior que 1983’

Especialista compara aquecimento do Pacífico à histórica tragédia de 1983 e cobra ações preventivas do poder público

Tempestade deixa ruas de várias cidades do sudeste alagadas e preocupa moradores

Tempestade deixa ruas de várias cidades do sudeste alagadas e preocupa moradores - Arquivo / Agência Brasil

Os moradores e as prefeituras de todo o Brasil devem iniciar imediatamente planos de contingência para enfrentar o avanço de um super El Niño no segundo semestre de 2026. O alerta parte do meteorologista Piter Scheuer, que aponta um aquecimento recorde no Oceano Pacífico Equatorial com potencial para provocar ressacas severas, inundações costeiras e chuvas volumosas na região a partir de setembro.

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A comparação histórica com a tragédia de 1983

Conforme as análises detalhadas de Piter Scheuer, o monitoramento por satélites da NOAA indica que a temperatura da água do mar está subindo de forma inédita.

Esse aquecimento acelerado altera a circulação de ventos global e intensifica a formação de frentes frias bloqueadas no litoral paulista.

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Além disso, a comparação direta com o ano de 1983 serve como um alerta severo para a infraestrutura urbana atual.

Naquele período histórico, o Brasil enfrentou meses seguidos de tempestades que destruíram estradas, causaram enchentes recordes e isolaram comunidades inteiras.

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Segundo o especialista, a energia térmica acumulada na atmosfera neste ano pode superar os piores registros históricos já mapeados.

Por isso, a preocupação dos meteorologistas não se limita apenas ao volume acumulado de água, mas também à violência das rajadas de vento associadas.

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Enquanto isso, os órgãos de monitoramento nacional, como o Inmet, já confirmam a transição climática rápida neste inverno de 2026.

A rapidez com que o fenômeno se estabelece surpreendeu parte da comunidade científica, que não previa uma resposta tão imediata do oceano. Consequentemente, o tempo para planejar ações preventivas nas cidades litorâneas encolheu significativamente.

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Os impactos práticos na costa da Baixada Santista

Os efeitos práticos na Baixada Santista devem se manifestar de duas formas principais durante a primavera.

A primeira delas envolve a elevação do nível do mar, que potencializa as ressacas na Ponta da Praia, em Santos, e na orla de Guarujá.

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Conforme a maré sobe sob a influência de ciclones extratropicais, a água invade avenidas costeiras e danifica a estrutura urbana de lazer.

A segunda ameaça direta são as chuvas persistentes de cabeceira que atingem as áreas de encosta da Serra do Mar.

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Os morros de Santos e São Vicente entram em estado de atenção constante devido ao risco severo de deslizamentos de terra.

Além disso, o Porto de Santos pode registrar paralisações temporárias em suas operações logísticas essenciais.

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Ventos fortes e mar agitado impedem a manobra segura de grandes navios de contêineres no canal de navegação interna.

Dessa forma, o impacto econômico do fenômeno climático atinge diretamente a balança comercial e o abastecimento de insumos.

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Moradores de bairros historicamente afetados por enchentes, como a Zona Noroeste de Santos, precisam redobrar os cuidados com a maré alta coincidente com temporais.

Como as cidades e moradores podem se prevenir

A prevenção eficaz exige uma ação coordenada e urgente entre o poder público e a população local.

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As prefeituras da região precisam acelerar a limpeza de canais de drenagem, comportas e galerias pluviais antes do início de setembro.

Segundo a Defesa Civil, a desobstrução desses sistemas evita que a água da chuva acumule rapidamente nas vias públicas de grande fluxo.

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Moradores de áreas vulneráveis devem se cadastrar nos sistemas de alerta por SMS enviando o CEP de sua residência para o número 40199.

Conforme o órgão estadual orienta, essa medida simples salva vidas ao antecipar evacuações seguras em caso de risco iminente de desabamento.

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Enquanto as obras estruturais de contenção de encostas não ocorrem, o monitoramento diário das tábuas de marés continua sendo a melhor ferramenta de defesa.

Por fim, os planos de contingência municipais devem ser revisados e testados exaustivamente pelas equipes de resgate nas próximas semanas.

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A conscientização da comunidade sobre não descartar lixo em canais e encostas também desempenha um papel crucial para mitigar os alagamentos urbanos.