Onde o tempo parou: o município brasileiro que guarda segredos da Ucrânia antiga

Com ritos bizantinos e quedas d'água que desafiam a escala urbana, Prudentópolis tenta equilibrar o orgulho de suas raízes europeias com o potencial turístico

O município é a terra das cachoeiras gigantes, com mais de 100 quedas d'água catalogadas / Imagem ilustrativa

Prudentópolis, no interior do Paraná, é um fenômeno cultural e geográfico. Cerca de 75% da população tem ascendência ucraniana, mantendo vivo um idioma e ritos religiosos que se tornaram raros até no país de origem.

Conhecida como a capital da oração, a cidade abriga dezenas de igrejas com cúpulas douradas em estilo bizantino, onde as missas ainda são celebradas em ucraniano arcaico.

Mas o gigantismo não está apenas na fé. O município é a terra das cachoeiras gigantes, com mais de 100 quedas d’água catalogadas, muitas superando os 100 metros de altura.

Um museu vivo cercado por abismos

Diferente de outras colônias europeias no Brasil, Prudentópolis não se “modernizou” para o turista. A preservação ocorreu pelo isolamento e pelo fervor religioso.

A culinária local, com o borscht (sopa de beterraba) e o varentyke (pastel cozido), é a mesma consumida pelos imigrantes que chegaram ao Paraná em 1891.

Esse isolamento cultural e geográfico cria uma bolha temporal que assemelha a cidade a outros municípios que dependem de fenômenos únicos para sobreviver.

O desafio de ser a “Ucrânia Brasileira” em tempos de guerra

Estrategicamente, Prudentópolis vive um momento delicado. O conflito no leste europeu trouxe um novo olhar do mundo para a cidade, mas a infraestrutura local ainda é de pequeno porte.

O desafio de gestão é converter o interesse global em um turismo de valor agregado, sem transformar a tradição religiosa em um “parque temático” vazio.

A oportunidade de melhoria está na integração dos roteiros das cachoeiras com o turismo histórico.

Hoje, o visitante costuma escolher um ou outro, perdendo a experiência completa da região.