Maior que Portugal, este município do Brasil sustenta aquários de luxo no mundo todo

Com mais de 122 mil km², o gigante amazonense exporta milhões de peixes neons para o mercado de luxo global

Maior que muitos países europeus, o município de Barcelos possui uma das geografias mais isoladas e fascinantes /Divulgação/PMB

Barcelos, no coração do Amazonas, é um gigante geográfico. Com mais de 122 mil km², o município é maior que países como a Coreia do Sul ou Portugal.

Apesar do tamanho, sua economia não vem da indústria ou do agronegócio pesado.

A cidade é mundialmente conhecida como a capital dos peixes ornamentais.

A estrela local é o Cardeal Tetra, um pequeno peixe neon que brilha sob as águas do Rio Negro e decora aquários de luxo na Europa e na Ásia.

Ouro vivo: a economia que mantém a floresta em pé

Cerca de 60% da receita de Barcelos depende diretamente da captura desses animais.

É uma engrenagem que envolve milhares de famílias de “piabeiros”.

Diferente de outras atividades, a capital dos peixes ornamentais depende da floresta preservada.

Sem o ecossistema intacto, o peixe desaparece e a economia quebra.

Estrategicamente, esse modelo é um exemplo raro de desenvolvimento sustentável real.

O desafio de gestão é similar ao de pequenos municípios que tentam transformar patrimônio natural em receita turística.

Ameaça internacional ao mercado brasileiro

Mesmo sendo a capital dos peixes ornamentais, Barcelos enfrenta um risco silencioso.

Criatórios na Ásia e na Flórida estão reproduzindo o Cardeal Tetra em cativeiro.

Essa concorrência global ameaça o sustento das comunidades tradicionais do Amazonas.

Se a extração artesanal morrer, a pressão sobre o desmatamento e o garimpo na região deve subir.

O jornalismo de comportamento deve focar na vida invisível desses pescadores.

Eles sustentam um mercado bilionário mundial, mas vivem sob a incerteza das leis de mercado.