O que a ciência diz sobre a nova ‘sopa dos influenciadores’, feita com partes de animais

O preparo caseiro é aclamado na internet, mas a ciência desmistifica os seus supostos poderes curativos

Descubra por que a bebida rica em colágeno é um ótimo alimento, mas não o

Descubra por que a bebida rica em colágeno é um ótimo alimento, mas não o | Freepik

Reconhecido como “ouro líquido” por entusiastas, o caldo de ossos (bone broth) é o centro de um intenso debate entre a comunidade do bem-estar e a ciência médica.

O líquido, obtido ao ferver ossos por longas horas, é propagandeado como um poderoso aliado para a saúde da pele, proteção das articulações e digestão.

No entanto, a principal conclusão dos especialistas é unânime: a empolgação com o caldo de ossos superou as evidências científicas disponíveis.

Em entrevista a pesquisadores e nutricionistas citados pelo The New York Times, afirmaram que, apesar de ser uma adição saudável à dieta e uma fonte leve de proteína, a bebida não tem garantias de ser um “elixir” com poderes de cura.

O alimento é reconfortante e nutritivo, mas não deve ser visto como substituto de tratamentos. É fundamental que o consumidor saiba a diferença entre o que é moda e o que é comprovado.

Conheça também o ‘ouro negro’ que estimula o colágeno e fortalece os ossos. Dica: é uma fruta.

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O bone broth realmente ajuda na produção de colágeno?

A promessa de regenerar articulações e tendões é o principal apelo do caldo de ossos, já que o cozimento extrai aminoácidos que são a “matéria-prima” do colágeno.

O professor Keith Baar, da Universidade da Califórnia, argumenta que a ideia “faz sentido em teoria”, baseando-se em estudos com suplementos de gelatina e colágeno.

Contudo, a professora Louise Burke lembra que a concentração desses aminoácidos no caldo de ossos caseiro é muito variável e, frequentemente, insuficiente para gerar os efeitos clínicos desejados.

Ela ressalta que o caldo pode ser nutritivo, mas os estudos existentes não o equiparam aos suplementos concentrados de colágeno.

E os benefícios para a saúde da pele?

No campo da estética, o colágeno é o nutriente-chave para a firmeza e elasticidade da pele. O dermatologista Rajani Katta explica que, embora o caldo contenha os blocos de construção para o colágeno, não existem estudos que comprovem que bebê-lo resulta em uma melhora visível na aparência da pele.

O especialista reitera que a forma como o corpo absorve e utiliza esses nutrientes é complexa, e não há garantia de que os aminoácidos sejam direcionados especificamente para a pele.

Assim, o caldo se mantém como uma opção nutritiva e reconfortante, mas não substitui os efeitos de cosméticos ou suplementos de colágeno estéticos.

E ainda sobre saúde e ossos, conheça as 9 mais indicadas por especialistas.

Vale a pena incluir o caldo na rotina?

Sim, vale a pena, com moderação e consciência. O caldo de ossos é uma fonte leve de proteína, contribui para a hidratação e saciedade, além de ser uma alternativa mais saudável a muitas sopas industrializadas, que possuem alto teor de sódio e gordura. Ele é uma adição de valor nutricional à dieta.

Mas há ressalvas importantes que o consumidor deve considerar. A nutricionista Amy Braganini explica que versões prontas podem conter muito sódio e o cozimento prolongado levanta preocupações sobre traços de chumbo.

Por isso, especialistas recomendam limitar o consumo a uma ou duas porções semanais, especialmente para gestantes e crianças.