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O 'giro' do medo: Por que o chão sob Portugal e Espanha está se movendo?

Entenda o fenômeno que pode redesenhar a Europa e causar sismos devastadores

Jeferson Marques

Publicado em 23/02/2026 às 13:08

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Milhões de pessoas transitam por esses países todos os dias sem imaginar o que acontece sob seus pés / Imagem ilustrativa/Gemini

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O solo sob os pés na Europa está em constante e curioso movimento. Um estudo recente, publicado na revista Gondwana Research, revelou que a Península Ibérica (que abriga Portugal, Espanha, Andorra e Gibraltar) está realizando um movimento de rotação no sentido horário. Embora pareça algo saído de um filme de ficção científica, esse fenômeno é uma realidade geológica que molda o mapa do mundo há milhões de anos.

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O giro milimétrico

Pesquisadores da Universidade do País Basco e da Universidade de Salamanca confirmaram que a península gira entre 4 a 6 milímetros por ano. À primeira vista, essa velocidade parece insignificante para a percepção humana, mas em termos geológicos é um ritmo considerável. Para se ter uma ideia, nos últimos 300 milhões de anos, a região já completou uma rotação de 60 graus. Se esse movimento continuar, a geografia da Europa e do Norte da África será completamente irreconhecível no futuro remoto.

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O motor invisível

O grande motor por trás desse giro é uma complexa dança tectônica no Mar Mediterrâneo, onde a Península Ibérica está "presa" em uma zona de compressão entre a Placa Euroasiática e a Placa Africana. O Estreito de Gibraltar funciona como uma dobradiça geológica: ele está se deslocando para o Oeste, criando um efeito de arco que empurra toda a península em uma trajetória circular. Esse fenômeno é intensificado pelo recuo de uma antiga placa oceânica que está mergulhando sob o arco de Gibraltar, um processo técnico conhecido como rollback.

Marcas do passado

Infelizmente, onde há movimento de placas, há tensão acumulada, e a história da região é marcada por eventos sísmicos devastadores que servem como lembrete da força do nosso planeta. O caso mais icônico ocorreu em 1755, quando um sismo de magnitude 8.7, seguido por um tsunami, destruiu Lisboa e vitimou até 100 mil pessoas. Séculos antes, em 1522, a cidade de Almería foi arrasada por um tremor de magnitude 7.0, enquanto em 1884 o sismo de Granada deixou cerca de 900 mortos em plena noite de Natal. Mais recentemente, em 2021, um abalo de 6.1 no fundo do mar entre Espanha e Marrocos provou que a região continua geologicamente muito ativa.

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Destino final

A longo prazo, essa rotação e a pressão constante da Placa Africana podem ter consequências drásticas para o mapa-múndi. Cientistas acreditam que o Mar Mediterrâneo pode eventualmente "fechar", transformando-se em um mar interior isolado ou até mesmo desaparecendo para dar lugar a novas e gigantescas cadeias de montanhas. Por enquanto, o monitoramento dessas micro-movimentações é essencial para que os geólogos possam prever riscos sísmicos e entender melhor como a crosta terrestre reage a essas forças invisíveis, mas implacáveis.

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