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O enigma de Super Sus: Explorador que ingeriu 'água radioativa' em Chernobyl desafia a medicina

Seis anos após o vídeo que chocou a internet, canal brasileiro acompanha o paradeiro do ucraniano que ignorou níveis de Césio-137

Jeferson Marques

Publicado em 08/04/2026 às 16:39

Atualizado em 08/04/2026 às 16:39

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Youtuber e explorador teria bebido água radiativa em Chernobyl / Imagem ilustrativa criada com IA/Gemini

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O limite entre a exploração urbana e a imprudência extrema foi cruzado de forma definitiva por um ucraniano que se tornou uma lenda viva do submundo digital. Conhecido como Super Sus (ou Serega Sinaptic), o explorador chocou o mundo ao registrar a si mesmo bebendo água diretamente do solo em uma das áreas mais perigosas do planeta.

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Mas como alguém pode sobreviver a tal exposição? Recentemente, o canal Você Sabia? resgatou essa trajetória em um vídeo detalhado, analisando o que aconteceu com o homem que desafiou as leis da física e da biologia na zona de exclusão de Chernobyl.

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O explorador que não conhece o medo

Super Sus não é um novato. Ele é um profissional da "Deep Web" física, um explorador de túneis, esgotos e instalações militares abandonadas na Ucrânia. Sua estética "suja" e seu comportamento errático escondem uma experiência vasta em ambientes insalubres.

No vídeo viral, ele aparece em Pripiat, a cidade fantasma que servia de moradia para os trabalhadores da usina nuclear. Sem qualquer equipamento de proteção, ele utiliza as mãos para coletar água de uma poça estagnada e a ingere com uma tranquilidade perturbadora.

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O risco invisível dos isótopos

Para entender o perigo, precisamos olhar para os elementos que o olho humano não vê. Mesmo décadas após o desastre de 1986, o solo de Chernobyl ainda abriga partículas altamente perigosas.

Ao ingerir água contaminada, o explorador introduz no organismo elementos como o Césio-137 (o Brasil registrou um acidente nuclear com essa substância em Goiânia) e o Estrôncio-90. Segundo especialistas em toxicologia radiológica, esses isótopos não causam sintomas imediatos em doses baixas ou moderadas, o que cria uma falsa sensação de segurança.

O Estrôncio-90, por exemplo, tem uma semelhança química com o cálcio. Isso faz com que o corpo humano o absorva e o "armazene" diretamente nos ossos e dentes, onde ele continua emitindo radiação por anos, destruindo o DNA das células ao redor.

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Lukas Marques e Daniel Mologni trouxeram a história de Super Sus novamente - Youtube/Você Sabia?

Por que ele ainda está vivo?

A grande dúvida dos internautas, reforçada pelo canal Você Sabia?, é o paradeiro de Super Sus. Diferente do que muitos previram, o ucraniano continua ativo em 2026, realizando novas explorações e postando conteúdos em suas redes sociais.

Existem três hipóteses principais levantadas pela comunidade científica e por entusiastas da exploração urbana. Uma diz que a radiação ionizante funciona como uma loteria. Nem toda célula atingida se torna cancerígena imediatamente. O dano pode levar 10, 20 ou 30 anos para se manifestar.

Outra diz que o vídeo viral pode ter sido gravado em túneis de Kiev, e não dentro do reator 4 de Chernobyl. Embora a água de um túnel urbano seja podre e cheia de bactérias, ela não possui a carga letal de radiação da zona de exclusão. E a última cita que anos explorando esgotos e locais insalubres podem ter fortalecido o sistema imunológico de Sus contra patógenos comuns, embora não ofereçam proteção contra a radiação.

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Ainda a critério de curiosidade, a ciência quer explorar as mutações genéticas que ocorreram nos lobos de Chernobyl.

Análise da USP

Segundo o consenso de pesquisadores de institutos de física brasileiros, como o Prof. Dr. Emico Okuno (referência na USP em física das radiações), a ingestão de material em áreas de exclusão ignora o conceito de dose acumulada.

"A radiação ionizante não é um veneno de efeito imediato como o cianeto. Ela atua de forma estocástica. Isso significa que a ingestão de isótopos como o Césio-137 aumenta a probabilidade de mutações genéticas e tumores malignos que podem aparecer décadas depois. O organismo não consegue expelir completamente o Estrôncio-90, que se fixa na estrutura óssea do indivíduo."

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Essa análise técnica desmistifica a ideia de que "não aconteceu nada" com o explorador ucraniano. Na física nuclear, o tempo é o fator determinante: o que parece um vídeo de entretenimento hoje, é tecnicamente uma bomba-relógio biológica para o amanhã.

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