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Cientistas detectam pela primeira vez transmissão de mutações de Chernobyl para descendentes

O estudo analisou 130 descendentes de liquidadores de Chernobyl, 110 descendentes de operadores de radar na Alemanha e 1.275 crianças de controle

Fábio Rocha

Publicado em 18/02/2026 às 19:45

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Pela primeira vez, há evidências claras de que mutações induzidas por radiação podem ser transmitidas para a próxima geração / Domínio Público

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Décadas após o desastre nuclear de Chernobyl, os efeitos da radiação ultrapassaram o tempo e o espaço: cientistas agora confirmam que os danos ao DNA causados na época podem ser detectados nos filhos dos trabalhadores expostos.

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Pela primeira vez, há evidências claras de que mutações induzidas por radiação podem ser transmitidas para a próxima geração.

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Estudo

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, adotou uma abordagem inovadora: em vez de buscar apenas novas mutações no DNA, os pesquisadores investigaram mutações de novo em cluster (cDNMs).

Essas são situações em que duas ou mais mutações aparecem próximas entre si no DNA do filho, mas não estavam presentes nos pais, um sinal de que o DNA parental sofreu quebras e reparos imperfeitos devido à radiação.

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Resultados

Os resultados revelam um padrão inquietante. Em média, cada criança descendente de trabalhadores de Chernobyl apresentava 2,65 cDNMs, comparados a 1,48 em filhos de operadores de radar militar alemão potencialmente expostos e 0,88 em crianças de famílias não expostas.

Mesmo considerando ajustes estatísticos para ruído nos dados, a diferença permaneceu significativa, demonstrando uma conexão direta entre a exposição e as mutações herdadas.

Para entender como isso acontece, é preciso voltar a 1986. A explosão do reator 4 liberou grandes quantidades de césio-137, iodo-131 e outros materiais radioativos, contaminando milhares de quilômetros quadrados e forçando a evacuação de cidades inteiras.

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Trabalhadores conhecidos como liquidadores, responsáveis por limpar e conter os danos, tiveram exposição intensa à radiação ionizante.

Essa energia gerou espécies reativas de oxigênio, moléculas instáveis capazes de romper cadeias de DNA, especialmente nas células espermáticas em desenvolvimento.

Quando esses trabalhadores tiveram filhos, algumas das mutações resultantes dessas quebras foram transmitidas, deixando marcas sutis, mas mensuráveis, no código genético da geração seguinte.

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Apesar do aumento nas cDNMs, os pesquisadores ressaltam que o risco de doenças ligadas a essas mutações permanece extremamente baixo.

Análise

O estudo analisou 130 descendentes de liquidadores de Chernobyl, 110 descendentes de operadores de radar na Alemanha e 1.275 crianças de controle, usando sequenciamento completo do genoma.

Embora a exposição inicial tenha ocorrido décadas atrás e a estimativa das doses envolvesse registros antigos, os resultados apontam para um efeito real e mensurável, mesmo com limitações do estudo.

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Essas descobertas lançam luz sobre como a radiação pode deixar legados invisíveis nas gerações futuras, reforçando a importância de monitoramento contínuo e protocolos de segurança rigorosos para trabalhadores expostos.

O impacto vai além da saúde imediata: ele mostra que acidentes nucleares podem escrever marcas sutis no DNA humano, que persistem por décadas e atravessam fronteiras de tempo.

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