Árvore que ‘perfura a Lua’ tem 84 metros de altura e é descoberta como a mais alta do Leste Asiático

Após quase uma década de buscas, pesquisadores encontraram um gigante de 84 metros escondido entre montanhas e florestas preservadas

Descoberta surpreendente revelou a árvore mais alta do Leste Asiático e mostrou por que as florestas de Taiwan são tão valiosas para o planeta (Foto: Divulgação/Steven Pearce)

Descoberta surpreendente revelou a árvore mais alta do Leste Asiático e mostrou por que as florestas de Taiwan são tão valiosas para o planeta (Foto: Divulgação/Steven Pearce)

Em meio às montanhas de Taiwan, uma árvore colossal permaneceu escondida por décadas. Com 84,1 metros de altura, o exemplar conhecido como “Espada Celestial” conquistou o título de árvore mais alta do Leste Asiático e revelou um dos maiores tesouros naturais da região.

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A descoberta, publicada na revista Frontiers, foi resultado de quase dez anos de expedições, tecnologia avançada e colaboração entre cientistas e moradores locais. Além de impressionar pelo tamanho, a árvore ajuda a explicar a importância ambiental das antigas florestas taiwanesas.

Uma jornada por áreas remotas, rios e encostas íngremes levou pesquisadores até um gigante que parecia existir apenas em lendas. O resultado chamou a atenção de cientistas de diferentes partes do mundo.

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Ilha favorece gigantes

Taiwan possui uma geografia singular. Apesar de ter uma área semelhante à da Suíça, a ilha abriga 258 montanhas com mais de 3 mil metros de altitude. Esse relevo cria condições ideais para o desenvolvimento de ecossistemas extremamente diversos.

Ao mesmo tempo, cerca de 60% do território continua coberto por florestas. Muitas dessas áreas escaparam da exploração madeireira porque ficam em regiões de difícil acesso, protegidas naturalmente por encostas íngremes e vales profundos.

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Como resultado, árvores centenárias conseguiram sobreviver ao longo das gerações. Entre elas estão os gigantescos abetos-de-Taiwan, chamados pelo povo indígena Rukai de “Árvore que Perfura a Lua”, um nome que reflete a imponência desses exemplares.

Missão para encontrar os maiores exemplares

A busca começou oficialmente em 2014, quando pesquisadores do Instituto de Pesquisa Florestal de Taiwan iniciaram expedições para localizar e medir as árvores mais altas da ilha. O primeiro objetivo era documentar um grupo lendário conhecido como Três Irmãs de Chilan.

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Embora os cientistas tenham encontrado árvores impressionantes, logo perceberam um problema. Em florestas antigas e densas, identificar os exemplares mais altos apenas olhando para a copa era uma tarefa extremamente difícil.

A constatação levou a equipe a buscar novas soluções. Afinal, milhares de árvores estavam espalhadas por montanhas remotas, tornando a procura semelhante à busca por uma agulha em um palheiro verde.

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Tecnologia mudou tudo

Para acelerar o trabalho, os pesquisadores recorreram ao LiDAR, uma tecnologia de escaneamento tridimensional baseada em pulsos de laser lançados por aeronaves. O método permite criar mapas detalhados da paisagem e medir a altura das árvores.

No entanto, o relevo montanhoso de Taiwan gerava erros frequentes. Muitas árvores pareciam mais altas do que realmente eram porque estavam posicionadas próximas a penhascos e terrenos inclinados.

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Por isso, o projeto ganhou reforço inesperado. Centenas de cidadãos passaram a analisar os dados coletados, ajudando a eliminar falsos resultados. A participação popular foi decisiva para que os pesquisadores encontrassem os candidatos mais promissores.

O encontro com a “Espada Celestial”

Em janeiro de 2023, durante o feriado do Ano Novo Lunar, a equipe decidiu verificar uma árvore que aparecia como forte candidata ao recorde. A expedição exigiu uma caminhada de 20 quilômetros ao longo de um rio e dois dias de subida intensa.

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Quando os escaladores alcançaram o topo e mediram o exemplar, veio a confirmação. A árvore possuía exatamente 84,1 metros de altura, tornando-se oficialmente a mais alta de Taiwan e de todo o Leste Asiático.

Batizada de “Espada Celestial do Rio Da’an”, ela passou a simbolizar uma década de pesquisas e descobertas. Desde então, os cientistas localizaram outras árvores que ultrapassam os 70 metros, incluindo duas que também superam a marca dos 80 metros.

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Gigantes ajudam a proteger o planeta

Além da grandiosidade visual, essas florestas desempenham um papel fundamental no equilíbrio climático. Estudos recentes mostram que os ambientes onde esses gigantes crescem armazenam quantidades extraordinárias de carbono.

Pesquisadores identificaram áreas com densidade de carbono comparável à das florestas primárias mais famosas do mundo. Isso significa que essas árvores ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera e mantê-lo armazenado por longos períodos.

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Por isso, a descoberta da “Espada Celestial” vai muito além de um recorde de altura. Ela reforça a importância de preservar ecossistemas raros que continuam guardando alguns dos maiores segredos da natureza.