Conheça a árvore exótica que se espalhou pelo Brasil e domina o maior Jardim de Orla do Mundo

O Chapéu-de-sol (Terminalia catappa), nativa da Ásia, Oceania e África e comum em todas as cidades do litoral de São Paulo

O Chapéu-de-sol se espalhou por quase toda a América do Sul e por diversos países da África Subsaariana

Com 5.335 metros de extensão, o maior Jardim de Orla do Mundo fica em Santos e tem o título reconhecido pelo Guinness World Records. A área verde emoldura sete praias do município com mais de 200 tipos de plantas, mas uma espécie rouba a cena do local: o Chapéu-de-sol (Terminalia catappa), nativa da Ásia, Oceania e África e comum em todas as cidades do litoral de São Paulo.

Nativo, precisamente, de Madagascar, Índia, a Região das Filipinas e parte da Austrália, entre outros países próximos, o Chapéu-de-sol se espalhou por quase toda a América do Sul e por diversos países da África Subsaariana.

De acordo com o botânico Hugo Sousa, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma das hipóteses mais bem aceitas para a chegada da espécie no Brasil é que ela foi introduzida durante o processo de invasão portuguesa.

Junto com a areia usada como contrapeso para o lastro dos navios vieram galhos e frutos que foram descartados na costa brasileira. Ali, encontraram condições favoráveis para o crescimento e se espalharam pelo litoral e interior do país.

“É uma árvore bastante rústica, resistente, com crescimento rápido e que se adaptou muito bem às nossas condições climáticas, encontrando um ambiente propício para seu desenvolvimento”, explicou Hugo Sousa.

Veja imagens do Chapéu-de-sol pela Orla de Santos:

Problemas

Resistente à salinidade, a espécie consegue crescer perto do mar, onde pode modificar toda a vegetação natural da restinga, visto que sua copa grande sombreia boa parte da vegetação rasteira.

Nas cidades, pode destruir calçadas e tubulações, gerando prejuízos, devido às suas raízes agressivas. É preciso ter cuidado com os frutos, pois como se trata de uma árvore alta, a queda pode danificar carros e machucar pessoas.

“Outra questão decorrente de sua presença em vias públicas se dá por uma de suas características: é uma espécie caducifólia, ou seja, perde suas folhas em uma época específica do ano. Com isso, calçadas ficam cobertas e, por vezes, podem causar acidentes, principalmente envolvendo pessoas idosas escorregando ou pisando em buracos e outras imperfeições no pavimento, além de moradores reclamarem de manchas na calçada e de terem que varrer as folhas. Além da grande quantidade de folhas também ser responsável pelo entupimento de bueiros”, disse Hugo.

Veja fotos do maior jardim a beira mar do mundo

Soluções

O especialista explicou ainda a respeito das manchas que as folhas soltam. De acordo com ele, elas ocorrem pela presença de compostos nas folhas, principalmente os taninos. E é justamente a presença destes compostos que faz com que as folhas sejam usadas no aquarismo como antifúngico e antibacteriano na água.

Apesar de não ser muito comum, seus frutos podem ser consumidos desde antes do amadurecimento até estarem completamente maduros. Por isso, alguns a conhecem também por castanheira.

Sua copa alta serve de abrigo para diversas espécies de pássaros urbanos, como sanhaços e bem-te-vis, além de sua sombra ajudar a diminuir as temperaturas das áreas urbanas em dias de calor, algo cada vez mais necessário nos dias de hoje.

Espécies invasoras

Ao comentar sobre espécies invasoras, Hugo Sousa explicou que espécies nativas são aquelas que surgiram em determinado local e cujas populações ocorrem naturalmente ali, conseguindo se reproduzir e manter números estáveis.

Já as espécies exóticas superam diferentes barreiras ecológicas que normalmente impedem a dispersão natural pelo mundo, como condições climáticas, disponibilidade de recursos e barreiras geográficas.

“Quando falamos de espécies invasoras, nos referimos às espécies exóticas que conseguem se estabelecer, se dispersar e têm potencial para causar danos à flora e à fauna local, além de impactos econômicos, sociais e até na saúde. Vale ressaltar que nem toda espécie exótica se tornará invasora, e que fatores como ambientes degradados podem facilitar o estabelecimento dessas espécies. É importantíssimo falar que as plantas exóticas superam essas barreiras por causa da interferência humana”, explicou.