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Plataformas de bancos digitais, como o Pix, estão crescendo gradualmente no Brasil e no mundo. Contudo, esses recursos também deram espaço à atuação de criminosos digitais
Plataformas digitais crescem continuamente pois oferecem rapidez, mas também atraem criminosos virtuais / Unsplash
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Plataformas de transações digitais, como o Pix, ficaram muito populares no Brasil devido a questões como fácil acesso e transações praticamente instantâneas. Entretanto, em consequência desses avanços, muitos criminosos estão utilizando dos aplicativos para criar maneiras de enganar pessoas e até mesmo conseguir dinheiro por ameaças, atos conhecidos como "golpes".
Golpes novos estão surgindo cada vez mais, fazendo com que milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, sejam vítimas de fraude e, consequentemente, sejam ameaçadas, expostas e até mesmo percam dinheiro. Apesar dessas circunstâncias serem desesperadoras para muitos, o delegado de polícia Dário Taciano de Freitas Júnior destaca que há maneiras de se proteger contra criminosos virtuais, no entanto, isso exige atenção contínua e a capacidade de não se deixar manipular.
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Ligações enganosas, mensagens falsas no WhatsApp e até mesmo clonagem de números conhecidos. Todos esses métodos de golpes têm algo em comum: Nos últimos anos, foram amplamente utilizados, com a finalidade de fazer com que a vítima realize transações bancárias a criminosos. Com a capacidade tecnológica da Inteligência Artificial (IA), a criação de personagens que se parecem com pessoas reais para a enganação alheia também está sendo muito comum.
A pergunta que pode persistir é: por que tantos golpes estão sendo aplicados, afinal? Ainda de acordo com o delegado, isso se deve principalmente porque as plataformas digitais (como o Pix) estão sendo utilizadas por milhares de pessoas de forma diária.
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"Esse aumento está diretamente ligado à transformação digital da sociedade. Hoje, praticamente todas as pessoas utilizam aplicativos bancários, redes sociais e serviços online para resolver questões do dia a dia. Ao mesmo tempo, isso trouxe comodidade e também ampliou as oportunidades para a atuação de criminosos. Outro fator relevante é a popularização dos smartphones, que concentram dados pessoais, bancários e profissionais em um único dispositivo".
Outra questão mencionada por Freitas é a facilidade que as plataformas digitais trazem: Afinal, elas efetuam transações de forma acessível, veloz e praticamente instantânea, descomplicando as atividades criminosas.
"Com os pagamentos instantâneos, como o Pix, o tempo passou a ser um fator crítico. Antes, uma fraude bancária podia levar horas ou dias para se concretizar; hoje, em poucos minutos, valores podem ser transferidos e fragmentados em várias contas diferentes. Isso exige da polícia uma atuação muito mais rápida e integrada com instituições financeiras e plataformas digitais. A preservação de provas digitais, como registros de acesso, horários, conversas e dados de transações, tornou-se essencial. Além disso, o volume de ocorrências aumentou, o que demanda especialização técnica constante dos investigadores para acompanhar a sofisticação dos golpes".
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Sendo o Pix um dos principais aplicativos de transações digitais no Brasil, isso faz com que a plataforma seja ainda mais "atraente" para os golpistas, criando um alerta ainda maior. Deste modo, o delegado menciona os principais golpes do programa, que envolvem até mesmo tecnologias como QR Codes e chaves pix adulteradas.
"O golpe mais recorrente hoje é o da falsa central de atendimento bancário. A vítima recebe uma ligação ou mensagem de alguém que se passa por funcionário do banco, alegando uma suposta fraude ou compra suspeita. Em seguida, ela é induzida a fazer transferências ou fornecer informações. Também são muito comuns os golpes do falso parente ou contato clonado em aplicativos de mensagens, em que o criminoso se passa por alguém próximo e pede um Pix urgente. Há ainda golpes relacionados a falsas vendas na internet, anúncios com preços muito abaixo do mercado e o uso de QR Codes ou chaves Pix adulteradas. Em todos eles, a rapidez da transação é usada contra a vítima".
Com a gravidade dos atos criminosos, é cada vez mais necessário ficar em alerta e aprender maneiras de ter maior segurança digital. Erros como confiança excessiva, senhas fracas ou repetidas e cliques em links suspeitos são fatores incluídos por Freitas.
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"O principal erro é confiar excessivamente. Muitas vítimas acreditam que estão falando com o banco, com um familiar ou com uma empresa legítima. Além disso, é comum o uso da mesma senha em vários serviços, senhas fracas ou a ausência de autenticação em dois fatores. Outro erro recorrente é clicar em links suspeitos enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem, bem como instalar aplicativos fora das lojas oficiais. Também observamos que muitas pessoas acabam fornecendo códigos de verificação achando que se trata de um procedimento de segurança, quando, na verdade, estão entregando o controle da própria conta ao criminoso".
Do mesmo modo, o delegado lista precauções simples, mas essenciais para a segurança digital. "O primeiro cuidado é desconfiar de qualquer pedido urgente envolvendo dinheiro, especialmente quando acompanhado de pressão, ameaça ou pedido de sigilo. Nenhum banco solicita senha, código ou transferência por telefone ou mensagem. É fundamental usar senhas fortes, diferentes para cada serviço, ativar autenticação em dois fatores, manter aplicativos e sistemas atualizados e conferir atentamente os dados do destinatário antes de confirmar um Pix. Em situações de dúvida, a melhor prática é interromper o contato e confirmar a informação por outro canal confiável".
Muitas pessoas apenas percebem que caíram em golpes de forma tardia, porém, Freitas deixa claro que se deve agir o mais rápido possível. Registrar um BO (Boletim de Ocorrência), evitar novas transações e acumular provas são fatores considerados fundamentais.
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"A reação precisa ser imediata. A vítima deve entrar em contato com o banco o mais rápido possível para tentar bloquear valores e evitar novas transações. Em seguida, é fundamental registrar ocorrência policial e preservar todas as provas, como mensagens, números utilizados, comprovantes e links. Também é importante trocar senhas, ativar mecanismos de segurança adicionais e alertar contatos próximos, especialmente se redes sociais ou aplicativos de mensagem foram comprometidos. Quanto mais rápida for a ação, maiores são as chances de reduzir o prejuízo e auxiliar a investigação", finaliza.