Entenda como compensação, adaptação e rotina influenciam o peso e o que fazer para emagrecer correndo / Unsplash
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Muita gente começa a correr acreditando que o peso vai cair automaticamente. O treino vira rotina, o condicionamento melhora e o suor parece prova de resultado. Mesmo assim, a balança pode ficar parada por semanas.
A explicação passa por fisiologia e por comportamento. A corrida pode ajudar no emagrecimento, porém o corpo compensa energia e a pessoa costuma mudar hábitos sem notar, principalmente na alimentação e no resto do dia.
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Um estudo no Journal of Strength and Conditioning Research (2013) aponta que correr sozinho não é, em geral, a estratégia mais eficiente para reduzir gordura corporal de forma significativa no longo prazo, por conta de mecanismos de compensação.
Emagrecer depende de déficit energético sustentado. Portanto, não basta queimar calorias na corrida se você consome mais depois ou reduz o movimento no restante do dia, o que pode zerar o resultado do treino.
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Além disso, o organismo se adapta para preservar energia. Isso aparece na eficiência da corrida, no apetite e até em ajustes do metabolismo, o que pode deixar a perda de peso mais lenta do que você imaginou.
Após correr, é comum sentir mais fome e buscar conforto alimentar. Nesse momento, você pode “pagar” o treino no prato sem perceber, especialmente com lanches rápidos e densos em calorias.
Uma corrida de 45 minutos pode queimar aproximadamente 400 a 600 kcal. Um pão de queijo com suco pode chegar nesse total em pouco tempo, anulando o déficit que parecia garantido.
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King e Blundell (1995) apontam que alimentos ricos em gordura podem aumentar a ingestão pós-exercício, o que ajuda a entender por que a compensação acontece com tanta frequência no dia a dia.
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À medida que o corpo se torna eficiente, o gasto para correr o mesmo trajeto diminui. É uma adaptação positiva para quem busca performance, mas ruim para quem espera queimar sempre o mesmo tanto.
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Pontzer (2016) discute gasto energético total “constrangido”. Assim, o corpo pode ajustar outras áreas do gasto diário e reduzir o efeito que você esperava obter apenas aumentando treinos.
Quando o corpo detecta perda de peso, ele pode reduzir a taxa metabólica basal para economizar energia. Esse mecanismo, chamado de termogênese adaptativa, dificulta manter o mesmo ritmo de emagrecimento.
Müller e colaboradores (2016) discutem esse ajuste e sua relação com ingestão energética. Por isso, estratégia precisa evoluir, porque repetir sempre o mesmo plano tende a perder eficiência ao longo do tempo.
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Corridas longas e moderadas não são o único caminho. Treinos intervalados de alta intensidade podem aumentar o gasto pós-treino por causa do EPOC, favorecendo a perda de gordura quando bem inseridos na rotina.
Boutcher (2011) destaca o papel do exercício intermitente de alta intensidade na perda de gordura. Portanto, variar ritmo e estímulos pode ser mais produtivo do que apenas acumular quilômetros.
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O ponto-chave é alinhar corrida com alimentação e treinos complementares. Quando você reduz compensações e aumenta o gasto total, a corrida vira parte de um sistema que favorece a perda de gordura.
Com esse ajuste, correr deixa de ser motivo de frustração e vira ferramenta. Assim, o emagrecimento tende a acontecer como consequência de uma rotina bem estruturada, com mais saúde e menos pressão.