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Como funciona a técnica inovadora que pode reverter o avanço da osteoporose

A osteoporose representa um dos maiores desafios médicos em uma população cada vez mais envelhecida

Márcio Ribeiro, de Peruíbe para o Diário

Publicado em 24/09/2025 às 13:18

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A busca por medicamentos seguros, eficazes e de longa duração é urgente / Freepik

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Um grupo de cientistas na Alemanha identificou, em modelos animais, uma molécula capaz de estimular a reparação do tecido ósseo, além de melhorar sua densidade e resistência

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A osteoporose representa um dos maiores desafios médicos em uma população cada vez mais envelhecida. A busca por medicamentos seguros, eficazes e de longa duração é urgente, já que milhões de pessoas sofrem com a perda de massa óssea, o que aumenta o risco de fraturas e reduz a qualidade de vida.

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Foi nesse cenário que pesquisadores da Universidade de Leipzig, na Alemanha, anunciaram um avanço significativo: a descoberta do papel do receptor de proteína GPR133, que abre caminho para tratamentos personalizados e de longo prazo contra a osteoporose.

A equipe liderada pela professora Ines Liebscher identificou o receptor GPR133 como peça central na formação e manutenção dos ossos / Freepik
A equipe liderada pela professora Ines Liebscher identificou o receptor GPR133 como peça central na formação e manutenção dos ossos / Freepik
Estudos genéticos em modelos animais revelaram que alterações nesse receptor provocam nos ratos sinais precoces de perda de densidade óssea, um padrão semelhante ao da osteoporose em humanos
Estudos genéticos em modelos animais revelaram que alterações nesse receptor provocam nos ratos sinais precoces de perda de densidade óssea, um padrão semelhante ao da osteoporose em humanos
O grande destaque da pesquisa está na molécula AP503, recentemente identificada como ativadora de GPR133
O grande destaque da pesquisa está na molécula AP503, recentemente identificada como ativadora de GPR133

Limitações atuais no tratamento

Os métodos farmacológicos disponíveis hoje ainda enfrentam muitas limitações. Segundo os cientistas alemães, “existe uma grande demanda por medicamentos seguros e duradouros para tratar a perda óssea de milhões de pessoas com osteoporose”.

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A necessidade é ainda maior porque se trata de uma doença crônica, de evolução lenta, que compromete a saúde óssea por décadas.

Além disso, o aumento da expectativa de vida expande o número de pessoas expostas a fraturas relacionadas à baixa densidade óssea, reforçando a urgência de novas pesquisas.

GPR133: um receptor-chave para a saúde dos ossos

A equipe liderada pela professora Ines Liebscher identificou o receptor GPR133 como peça central na formação e manutenção dos ossos.

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Estudos genéticos em modelos animais revelaram que alterações nesse receptor provocam nos ratos sinais precoces de perda de densidade óssea, um padrão semelhante ao da osteoporose em humanos.

“Quando esse receptor sofre mudanças genéticas, os ratos apresentam sinais de osteoporose em idade precoce, de forma muito parecida ao observado em pessoas”, explicou Liebscher. O estudo foi publicado na revista Nature.

AP503: a molécula promissora

O grande destaque da pesquisa está na molécula AP503, recentemente identificada como ativadora de GPR133. Em experimentos com animais, a substância aumentou a força e a densidade óssea tanto em ratos saudáveis quanto naqueles com osteoporose experimental.

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Segundo os autores, a ativação do receptor estimula as células formadoras de osso (osteoblastos) e inibe as células que reabsorvem o tecido (osteoclastos). Esse duplo efeito favorece não apenas a preservação, mas também a reconstrução da massa óssea.

“Conseguimos aumentar significativamente a resistência dos ossos em ratos saudáveis e osteoporóticos utilizando a substância AP503”, destacaram os pesquisadores.

Além disso, o receptor responde não só a estímulos químicos, mas também a estímulos físicos, como a tensão mecânica gerada pelo movimento — um fator que ajuda a explicar a importância da atividade física na saúde dos ossos.

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Impactos clínicos potenciais

A descoberta pode beneficiar especialmente mulheres na pós-menopausa, homens idosos e pessoas vulneráveis à perda óssea. A ativação de GPR133 teria potencial para fortalecer ossos saudáveis e reconstruir ossos fragilizados.

O impacto pode ir além: pesquisas anteriores da mesma universidade mostraram que a AP503 também fortalece os músculos esqueléticos. Isso sugere que, além de prevenir fraturas, a substância poderia melhorar a mobilidade e reduzir o risco de quedas em idosos.

“O fortalecimento paralelo do osso recentemente demonstrado ressalta ainda mais o grande potencial desse receptor para aplicações médicas em uma população que envelhece”, afirmou a pesquisadora Juliane Lehmann, do Instituto de Bioquímica Rudolf Schönheimer.

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Próximos passos

O grupo de Leipzig já trabalha em projetos de acompanhamento para compreender mais profundamente o papel de GPR133 e avaliar a segurança de sua ativação a longo prazo.

Os resultados, ainda iniciais, abrem a perspectiva de uma nova geração de terapias contra a osteoporose e outras doenças ligadas à perda de tecido ósseo e muscular.

Caso se confirmem em humanos, podem transformar radicalmente a abordagem médica dessa condição que hoje é uma das mais prevalentes e incapacitantes na velhice.

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