Castores viram ‘engenheiros’ e resolvem problema de enchente que durava décadas

Reintroduzidos em uma área verde de Londres, castores criaram represas naturais que ajudaram a segurar a água da chuva

Castores foram reintroduzidos em uma área verde de Londres e ajudaram a mudar o comportamento da água no local (Foto: Pexels)

A solução para um antigo problema de enchentes em Londres não veio de uma grande obra de concreto, mas de um grupo de castores. Em Paradise Fields, área verde de Greenford, os animais mudaram o comportamento da água e chamaram a atenção por um motivo simples: funcionou.

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A região sofria havia décadas com alagamentos em ruas, casas e até nos arredores de uma estação do metrô. Depois da chegada dos castores, o cenário começou a mudar. As represas naturais construídas por eles passaram a segurar a água da chuva e reduzir a força do escoamento.

O caso virou exemplo de como a natureza pode ajudar cidades a enfrentar eventos extremos, especialmente em tempos de chuvas mais intensas e infraestrutura urbana pressionada.

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Solução inesperada

Os castores foram reintroduzidos em Paradise Fields em outubro de 2023. No início, eram cinco animais. Agora, há pelo menos oito vivendo no parque, que se transformou em um laboratório vivo de renaturalização urbana.

Em poucos meses, eles construíram uma rede de represas e áreas alagadas. Esse trabalho desacelera a água, aumenta a absorção do solo e impede que grandes volumes cheguem rapidamente às ruas e à estação próxima.

Por isso, os animais passaram a ser chamados de “engenheiros do ecossistema”. A expressão não é exagero: ao derrubar árvores, abrir clareiras e modificar cursos d’água, eles reorganizam o ambiente de forma natural.

Enchentes sob controle

A área de Greenford convivia com enchentes desde a década de 1970. O problema já havia motivado tentativas caras de intervenção, incluindo obras para controlar o fluxo do rio e reduzir os alagamentos.

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Com os castores, porém, o parque passou a funcionar como uma esponja natural. A água fica retida por mais tempo no terreno e retorna lentamente ao ambiente, em vez de descer de uma vez para as áreas urbanas.

Segundo a oficial urbana de castores Şeniz Mustafa, para o The Independent, “a comunidade de Greenford foi muito afetada” pelas enchentes. Ela também afirmou que moradores estavam “muito felizes” com a chegada dos animais.

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Biodiversidade voltou

O impacto não ficou restrito à drenagem. A presença dos castores também melhorou a biodiversidade local. Com mais luz chegando aos cursos d’água e a água correndo mais devagar, o ambiente ficou mais favorável para outras espécies.

Peixes voltaram a aparecer, e a nova paisagem passou a sustentar insetos, aves, morcegos e anfíbios. Assim, uma medida pensada para reduzir enchentes também ajudou a recuperar parte da vida selvagem do parque.

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Esse efeito em cadeia explica por que projetos do tipo ganham força em cidades que buscam soluções mais baratas, sustentáveis e adaptadas à crise climática.

Retorno histórico

Os castores haviam desaparecido da região após séculos de caça por carne e pele. A reintrodução em Londres, portanto, tem peso simbólico e prático: devolve ao ambiente uma espécie capaz de moldar paisagens.

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O naturalista David Attenborough resumiu, ao The Independent, a surpresa ao comentar o retorno dos animais à capital britânica. “Se alguém tivesse me dito, quando me mudei para cá, que um dia eu veria castores selvagens em Londres, eu acharia que a pessoa estava louca.”

Agora, o projeto em Ealing inspira outras áreas da cidade. A mensagem é direta: em alguns casos, deixar a natureza trabalhar pode ser mais eficiente do que tentar controlar tudo apenas com concreto.