Com 5 milhões de litros e 453 espécies, maior aquário de água doce do mundo vira palco de megaevento ambiental

O espaço, considerado o maior aquário de água doce do mundo, receberá a 49ª edição do Congresso da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB)

Um dos novos marcos, anunciado pelo Bioparque do Pantanal, foi atingir 100 espécies naturalmente reproduzidas sob cuidados humanos, resultado anunciado em março de 2026

Um dos novos marcos, anunciado pelo Bioparque do Pantanal, foi atingir 100 espécies naturalmente reproduzidas sob cuidados humanos, resultado anunciado em março de 2026

Do dia 26 a 30 de maio, o Bioparque do Pantanal, em Campo Grande (MS), será o centro das discussões nacionais sobre biodiversidade, manejo animal e conservação da fauna.

O espaço, considerado o maior aquário de água doce do mundo, receberá a 49ª edição do Congresso da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), reunindo pesquisadores, estudantes, veterinários, biólogos e especialistas de diversas regiões do país.

“Um Mergulho na Conservação: Ciência, Sociedade e Meio Ambiente” será o tema do evento que discutirá desafios atuais ligados à proteção de espécies ameaçadas, educação ambiental, pesquisa científica aplicada e o papel estratégico de zoológicos e aquários na preservação da biodiversidade brasileira.

Estrutura do aquário

Situado no Parque das Nações Indígenas, o Bioparque do Pantanal vem se consolidando como uma das principais estruturas científicas voltadas para a fauna aquática no país.

Sua área é de cerca de 21.000 metros quadrados, contém cerca de 5 milhões de litros de água e abriga 453 espécies de animais. Esse número é superior ao divulgado em anos anteriores, o que evidencia a expansão do acervo vivo mantido pela instituição.

Além da visitação pública, o espaço desempenha um papel estratégico em pesquisa e conservação ambiental.

O bioparque possui 239 tanques; 31 destes são designados para exibição pública.

Os demais são utilizados em atividades técnicas essenciais, como quarentena de animais, monitoramento biológico, reprodução assistida, controle sanitário e estudos científicos.

Futuro da conservação no Brasil

O programa da AZAB envolverá debates focados em áreas como Biologia, Medicina Veterinária, Zootecnia, educação ambiental e gestão de instituições voltadas para a fauna.

O encontro também é acompanhado por palestras, mesas-redondas e atividades práticas para lidar com o manejo de animais selvagens, fotografia técnica aplicada à fauna, comunicação científica e bem-estar animal.

Os membros também abordarão a questão da conservação ex situ (ou seja, conservação que ocorre fora do ambiente natural), iniciativas de educação ambiental e formas inovadoras de proteger a biodiversidade.

Criado em 1977, o congresso reúne anualmente representantes de zoológicos, aquários, universidades, centros de pesquisa e órgãos ambientais. A edição de 2026 ganha relevância adicional por sua realização em Mato Grosso do Sul, estado que abriga parte do Pantanal, a maior área úmida continental do planeta e um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo.

Marco histórico do aquário na reprodução de espécies

Um dos novos marcos, anunciado pelo Bioparque do Pantanal, foi atingir 100 espécies naturalmente reproduzidas sob cuidados humanos, resultado anunciado em março de 2026

Desse total, 32 foram definidas como pertencentes ao bioma Pantanal.

A reprodução em ambientes monitorados permite acompanhar fatores essenciais para a conservação animal, como genética, comportamento, adaptação ambiental e ciclos biológicos.

Essas informações auxiliam os pesquisadores no desenvolvimento de protocolos científicos voltados à preservação de espécies ameaçadas.

A instituição também afirma manter o maior banco genético vivo de espécies de água doce do mundo, iniciativa que fortalece as pesquisas relacionadas à biodiversidade brasileira e as estratégias de conservação de longo prazo.

Desafios na era das mudanças climáticas

O monitoramento e a reprodução de animais têm se tornado cada vez mais importantes devido aos crescentes efeitos das mudanças climáticas no ecossistema brasileiro, segundo especialistas.

No Pantanal, incêndios severos, padrões de chuva alterados e destruição de habitats têm pressionado as populações de diferentes espécies.

Nesse sentido, programas científicos relacionados ao manejo e à conservação revelam-se ferramentas críticas para mitigar riscos ambientais e aumentar a compreensão da adaptação animal em situações extremas.

Integração de ciência, turismo e educação no aquário

Lançado em 2022, o Bioparque do Pantanal começou a mesclar turismo científico, educação ambiental e pesquisa aplicada em um único local.

O espaço recebe visitantes de diferentes regiões do Brasil e se tornou um dos principais atrativos turísticos de Mato Grosso do Sul.

Agora, ao sediar um dos maiores encontros técnicos do setor no país, o complexo reforça sua posição como centro estratégico para o desenvolvimento de estudos sobre fauna, biodiversidade e conservação ambiental.

Este congresso também deve estimular trocas entre profissionais que gerenciam animais sob cuidados humanos, o que aprofundaria as redes de cooperação científica e possibilitaria conversas sobre o futuro da conservação no Brasil.