Após perder amigo em acidente, jovem constrói novo veleiro em sua homenagem

Depois de perder o primeiro veleiro em um acidente no mar, Maria Beatriz transforma o luto em um projeto que inspira

Novo barco nasce como homenagem aa amigo que faleceu no acidente e revela uma jornada marcada por superação, memória e paixão pela vela (Foto: Maria Beatriz/Arquivo Pessoal)

Novo barco nasce como homenagem aa amigo que faleceu no acidente e revela uma jornada marcada por superação, memória e paixão pela vela (Foto: Maria Beatriz/Arquivo Pessoal)

Quando tinha apenas 15 anos, Maria Beatriz, conhecida como Bibi, construiu o próprio veleiro artesanal em uma oficina náutica de Itajaí, em Santa Catarina. Anos depois, uma tragédia no mar destruiu a embarcação e mudou sua vida para sempre. Agora, aos 20, a jovem decidiu transformar a dor em um novo começo.

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O Albacora 2 não é apenas um sucessor do primeiro barco. Para Bibi, o projeto representa uma homenagem a um amigo que perdeu a vida em um acidente e uma forma de manter viva uma história interrompida cedo demais.

Entre chapas de madeira, resina e lembranças difíceis, a jovem velejadora encontrou uma motivação inesperada para voltar à oficina e reconstruir um sonho que parecia impossível.

Um convite mudou tudo

A relação de Bibi com o mar começou ainda na infância, cercada pela tradição pesqueira da família e pelo interesse crescente pelo mergulho. No entanto, construir um barco nunca esteve nos seus planos até surgir uma oportunidade inesperada.

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Tudo começou quando uma vaga remanescente apareceu no projeto Paiol, oficina da Associação Náutica de Itajaí. O convite chegou por meio de um professor conhecido da família e surpreendeu a adolescente, que aceitou o desafio sem imaginar o impacto da decisão.

“A minha tia chega de um dia para o outro e fala: ‘Vamos construir um barco’. Tu fala: ‘Calma, espera aí, como assim?”, relembrou Bibi, em entrevista à revista Náutica. A partir daquele momento, nasceu uma paixão que logo ultrapassaria os limites da oficina.

Quando a vela virou parte da vida

Durante a construção do primeiro veleiro, a jovem descobriu histórias de navegadores que cruzaram oceanos e deram voltas ao mundo. Pouco a pouco, a curiosidade se transformou em admiração e, depois, em um verdadeiro projeto de vida.

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Após meses de trabalho, o Albacora ganhou as águas e passou a acompanhar a rotina da jovem. Mais do que uma embarcação, o pequeno veleiro tornou-se um espaço de liberdade, aprendizado e conexão com o mar.

Com o passar do tempo, Bibi consolidou sua paixão pela vela. Cada saída representava uma nova descoberta e reforçava a sensação de que aquele barco havia se tornado uma extensão de quem ela era.

A tragédia que interrompeu a jornada

O rumo dessa história mudou drasticamente em setembro de 2025. Durante uma navegação, um acidente no mar resultou na morte de Davi, amigo próximo da velejadora e uma das pessoas que ajudaram na construção do Albacora.

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Além da perda do amigo, o barco também foi destruído. O impacto emocional foi tão grande que Bibi decidiu se afastar completamente da vela e das atividades ligadas à construção naval por um período.

“Eu falei: ‘Não, vamos para outra história, barcos maiores (…) mas, por agora, eu não quero nada de vela’. Dei um tempo”, contou. Naquele momento, voltar à oficina parecia algo distante e até impossível.

Sinal trouxe esperança

Meses depois, quando já cogitava não retornar ao projeto, uma notícia inesperada mudou tudo. Um dos instrutores revelou que havia recuperado a vela do antigo barco entre os destroços do acidente.

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O objeto carregava um simbolismo especial. Para a jovem, encontrar aquela vela foi como receber uma mensagem para seguir em frente. A partir dali, nasceu a ideia de construir o Albacora 2.

“Mas, quando ele [Renato] me falou da vela, foi que eu decidi fazer o segundo, mas com outro sentido”, explicou. O novo barco passaria a carregar uma missão muito maior do que simplesmente navegar.

Um barco construído com memória e propósito

Diferentemente da primeira experiência, Bibi decidiu transformar a construção em um processo coletivo. Amigos, familiares e convidados participam regularmente das atividades para deixar sua marca no projeto.

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Ao lado do pai, construtor naval de formação, ela trabalha semanalmente na oficina. Embora o barco ainda esteja em fase inicial, existe uma meta definida: colocá-lo na água em dezembro, durante uma cerimônia de batismo.

Mais do que concluir uma embarcação, a jovem quer mostrar que a vela pode ser acessível e transformadora. Enquanto sonha em dar a volta ao mundo antes dos 30 anos, ela segue compartilhando cada etapa da jornada e provando que recomeçar também é uma forma de navegar.