Pedro Bittencourt cresceu vendo o pai desenhar barcos. Décadas depois, com a morte do pai, resolveu concluir sozinho um dos projetos mais importantes deixados pela família. O detalhe que mais impressiona é que ele fez isso sendo totalmente cego.
O empresário retomou um modelo criado nos anos 1980 por Marcos Bittencourt, fundador da antiga Pointter. O projeto havia sido interrompido em 2000, após a morte do pai, e nunca chegou a ser finalizado.
Anos depois, Pedro decidiu recuperar os desenhos, estudar cada detalhe da embarcação e adaptar o modelo para uma nova geração. O resultado virou uma das histórias mais comentadas do mercado náutico brasileiro após o lançamento no Rio Boat Show 2026.
“O projeto foi iniciado pelo meu pai na década de 1980. Eu desenhei o projeto por escrito e fiz todas as modificações até chegar neste modelo. É um relançamento”, explicou o empresário à revista Náutica.
Barco virou homenagem familiar
A retomada do projeto também mudou o rumo da empresa da família. O estaleiro, antes chamado apenas de Pointter, passou a se apresentar como Pointter Mar, em referência à navegação e ao legado de Marcos Bittencourt.
Mais do que lançar uma nova embarcação, Pedro queria manter viva a história iniciada pelo pai décadas atrás. Por isso, decidiu preservar características do projeto original e, ao mesmo tempo, atualizar o barco.
O novo modelo ganhou mudanças estruturais, melhorias de estabilidade e adaptações voltadas para segurança e praticidade. Ainda assim, a essência da embarcação criada nos anos 1980 foi mantida.
A história rapidamente despertou curiosidade porque Pedro participou diretamente de todo o desenvolvimento. Mesmo sem enxergar, ele conduziu alterações técnicas e acompanhou cada etapa do processo.
Detalhe do barco chamou atenção
Além da história por trás da construção, o modelo também se destacou pelas soluções pensadas para facilitar a navegação. Segundo o estaleiro, a embarcação possui quatro níveis de segurança.
O barco ainda conta com estrutura insubmergível e costado elevado, recurso que aumenta a sensação de proteção durante o uso e ajuda a enfrentar diferentes condições na água.
Outro diferencial está no tamanho compacto. A proposta é permitir que a embarcação seja rebocada por carros comuns, armazenada em casa e usada tanto em lazer quanto em atividades profissionais.
“É um barco pequeno que entrega tudo que uma lancha grande tem”, afirmou Pedro ao comentar a proposta do modelo desenvolvido pela empresa da família.
Estabilidade foi prioridade no projeto
Durante o redesenho da embarcação, Pedro também buscou melhorar o desempenho do barco na água. Para isso, utilizou uma estrutura inspirada em catamarã na região da popa.
Segundo ele, a mudança reduz inclinações durante curvas e melhora a estabilidade da navegação. O objetivo era criar uma experiência mais confortável e segura para diferentes perfis de usuários.
“O barco é muito estável, não aderna”, destacou o empresário. Ele ainda afirmou que o modelo faz “curvas bem legais”, característica que acabou virando um dos principais diferenciais do projeto.
O lançamento da embarcação marcou, ao mesmo tempo, a estreia de um novo modelo e a continuação de uma história interrompida há mais de duas décadas. Para Pedro, o barco representa uma herança que voltou ao mar.






