Uma nova “moda” está se popularizando no TikTok dos Estados Unidos: são centenas de vídeos retratando a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A prática pode até parecer simples no dia a dia; no entanto, faz parte de um sistema ancestral especializado na saúde integral – corporal, mental e espiritual.
Segundo Chen Jiesen, professor de chinês na Escola Santista de Mandarim, as técnicas chinesas englobam o todo. Sua filosofia consiste em tratar o corpo humano como um complexo interligado; portanto, o foco não é apenas um problema específico, mas o organismo como um todo.
“A Medicina Tradicional Chinesa enxerga o corpo humano como um sistema conectado. Ou seja, não adianta tratar apenas uma dor de cabeça se a pessoa vive estressada, dorme mal e se alimenta de forma inadequada. Tudo está conectado: o corpo, a mente e o ambiente em que se vive.”
Princípios milenares
Você provavelmente já deve ter ouvido falar da cultura do Yin e Yang. Porém, você sabia que esses conceitos estão diretamente relacionados com a medicina chinesa?
Quanto a essa questão, Jiesen explica que os procedimentos seguem a ideia de um equilíbrio, enquanto o Yin representa a calma, Yang representa o entusiasmo. Os dois elementos diferem naturalmente; todavia, complementam um ao outro.
“Outro princípio importante é o Yin e Yang. A ideia é que tudo possui dois aspectos opostos, mas que se complementam. O Yin está relacionado à energia mais calma, ao frio e à noite. Já o Yang representa a energia ativa, o calor e o dia. Quando um desses lados fica em excesso ou em falta, o equilíbrio do corpo é afetado e podem surgir problemas de saúde”.
Devido a esses aspectos, o docente aponta a medicina chinesa como um tratamento completo, e não parcial.
“Por isso, na medicina chinesa os tratamentos costumam ser personalizados. O objetivo não é apenas aliviar o sintoma, mas entender o que está causando o desequilíbrio e ajudar o corpo como um todo a voltar ao seu estado de harmonia. Dessa forma, busca-se tratar a raiz do problema”.
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Sabedoria ancestral
Jiesen também menciona que o conhecimento medicinal foi transmitido de geração a geração. De acordo com ele, antigamente, o método mais comum era a observação: Filhos acompanhavam o trabalho de seus pais e, como resultado, aprendiam a aplicar os métodos.
“O método mais tradicional de transmissão do conhecimento era a passagem direta de pai para filho ou de mestre para discípulo, aprendendo de perto, na prática clínica, observando e acompanhando o trabalho do médico experiente”.
Há também outras possibilidades de aprendizado. Por exemplo, o docente cita a sabedoria registrada nos livros clássicos chineses: “Outra forma importante sempre foi o estudo aprofundado dos livros clássicos da medicina chinesa, que registram teorias e experiências acumuladas ao longo de muitos séculos”.
Sistema de ensino
Visto que a medicina chinesa pode ser um procedimento complexo, requerendo prática e estudos, o professor destaca que existem instituições especializadas na formação na área, com um sistema de ensino completo e rigoroso.
“Além disso, hoje a China possui um sistema educacional completo com universidades especializadas em Medicina Tradicional Chinesa. Nessas instituições, os alunos aprendem por meio de estudos teóricos sistemáticos, estágios clínicos e treinamento em pesquisa moderna. Atualmente, essa é a principal forma de formação de profissionais de Medicina Tradicional Chinesa”.
Principais práticas
Dentre as atividades que englobam as técnicas chinesas, Jiesen lista as seguintes:
- Fitoterapia (中药 – Zhōngyào): Uso de ervas medicinais combinadas em fórmulas personalizadas, de acordo com a condição de cada pessoa;
- Acupuntura (针灸 – Zhēnjiǔ): Inserção de agulhas finas em pontos específicos do corpo para estimular a circulação de energia e ajudar no equilíbrio do organismo;
- Massagem terapêutica (推拿 – Tuīná): Técnicas manuais usadas para estimular os meridianos e liberar bloqueios de energia. É muito utilizada para tratar dores no pescoço, ombros, costas e pernas;
- Ventosa (拔罐 – Báguàn) e raspagem da pele (刮痧 – Guāshā): Métodos que ajudam a ativar a circulação do sangue, aliviar tensões musculares e auxiliar o corpo na eliminação de toxinas;
- Qigong (气功 – Qìgōng) e Tai Chi Chuan (太极拳 – Tàijíquán): Exercícios suaves que combinam movimento, respiração e concentração, buscando harmonizar corpo e mente e fortalecer a saúde;
- Dietoterapia (食疗 – Shíliáo): Uso dos alimentos como parte do tratamento e da prevenção, aproveitando suas propriedades para ajudar a equilibrar o Yin e o Yang no organismo.
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Hábitos recomendados
Conforme Jiesen, existem hábitos simples da medicina chinesa, que podem ser aplicados no dia a dia. Mas, apesar dessa facilidade, são extremamente importantes à saúde. Estes incluem:
- Dormir cedo e ter um sono de qualidade: O descanso adequado é fundamental;
- Evitar exageros na alimentação: Comer devagar, mastigar bem os alimentos e preferir refeições equilibradas. É recomendado evitar frituras e comidas muito gordurosas, além de beber bastante líquido e evitar bebidas muito geladas;
- Praticar atividade física regularmente: Pode ser algo simples, como uma caminhada diária. Massagens e alongamentos também ajudam a manter o corpo relaxado e a circulação ativa;
- Cuidar do equilíbrio emocional: Ter autocontrole, manter a calma e procurar evitar excesso de estresse e ansiedade.
O docente finaliza esclarecendo os inúmeros benefícios da aplicação dessas técnicas em diversas questões do corpo humano.
“Quando o corpo está equilibrado e a energia flui de forma adequada, muitas funções do organismo entram em harmonia. A pessoa tende a se sentir mais disposta, dorme melhor e o sistema imunológico fica mais forte, o que ajuda a reduzir resfriados e outras infecções. No aspecto da saúde mental, é comum perceber menos ansiedade, mais paciência e maior estabilidade emocional. Como consequência, no campo espiritual, a pessoa também pode sentir mais paz interior, equilíbrio e uma sensação de bem-estar”.
