Cotidiano

Zona Noroeste alaga de novo e Prefeitura de Santos acelera megaprojeto milionário

Ordem de Serviço é publicada e empresa tem cinco dias para montar canteiro; região voltou a sofrer com alagamentos após fortes chuvas

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 02/03/2026 às 19:55

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Com prazo de 5 dias, a empresa responsável tem até esta semana para instalar o canteiro de obras / Divulgação/PMS

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Após uma semana marcada por chuvas intensas que provocaram alagamentos em diversos pontos da cidade — sobretudo na Zona Noroeste — a Prefeitura de Santos deu um passo concreto no maior pacote de macrodrenagem da história recente do município.

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A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) informou que a Ordem de Serviço para o início das obras da Estação Elevatória com Comportas (EEC) 6 foi publicada na quarta-feira (25).

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Com prazo de 5 dias, a empresa responsável tem até esta semana para instalar o canteiro de obras, o que marca oficialmente o início da fase executiva do projeto.

A intervenção ocorre em meio a um cenário crítico. Conforme reportagens recentes do Diário do Litoral, as chuvas acumuladas na última semana causaram enchentes em vias da Zona Noroeste, afetando bairros como Castelo, Areia Branca, Rádio Clube, Chico de Paula e Saboó — regiões historicamente impactadas pela combinação de chuva intensa e maré alta, que dificulta o escoamento da água.

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EEC6: estrutura estratégica no Saboó

A EEC6 será construída no bairro Saboó, com investimento de R$ 153,3 milhões, e integra o programa de macrodrenagem Santos Mais. O prazo contratual é de 42 meses, incluindo período de operação assistida após a entrega.

A estação atenderá uma área aproximada de 2 km², beneficiando diretamente o Saboó — com exceção das ruas próximas e paralelas à Avenida Nossa Senhora de Fátima.

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O projeto prevê:

  • Oito conjuntos de bombas verticais a diesel
  • Capacidade individual de 2,5 m³ por segundo
  • Vazão total de 20 m³
  • Potência suficiente para esvaziar uma piscina olímpica em cerca de dois minutos

A obra será executada em paralelo à canalização do Rio Lenheiros, intervenção estimada em cerca de R$ 100 milhões, resultado de parceria entre Prefeitura, Governo Federal e a MRS Logística.

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Financiamento internacional e pacote de estações

A EEC6 é uma das quatro estações com recursos já assegurados por meio de financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), que destinou US$ 105 milhões ao programa de macrodrenagem, acessibilidade e sustentabilidade da cidade.

O pacote inclui ainda:

  • EEC4 (Rádio Clube)
  • EEC9 (Chico de Paula)
  • EEC2 (Santa Maria/Bom Retiro)

Outras unidades previstas dependem de novos aportes estaduais, federais ou internacionais.

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Sistema já em operação e integração regional

Desde maio de 2023, está em funcionamento a EEC7 Engenheiro Marcos Diniz, localizada na Avenida Haroldo de Camargo.

O equipamento beneficia Castelo e Areia Branca, com capacidade para 4,25 milhões de litros e três bombas com vazão de 6 mil litros por segundo.

Outra frente estratégica é a EEC0, projetada para a entrada da cidade, ao lado do supermercado Assaí, em parceria com a Ecovias, MRS Logística e a Autoridade Portuária de Santos (APS). O projeto prevê reservatório e bombeamento de 5 m³ por segundo.

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Urbanização e habitação caminham juntas

O plano de drenagem está articulado às políticas habitacionais e de urbanização da Zona Noroeste. Parte das áreas previstas para novas estações envolve ocupações irregulares, exigindo realocação de famílias para conjuntos habitacionais antes do início das obras.

As ações incluem regularização fundiária, construção de moradias e o projeto Parque Palafitas, considerado marco na transformação urbana da região.

Como funcionam as estações elevatórias

As estações operam de forma automatizada, adaptando-se ao volume de chuva e ao nível da maré:

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Chuva fraca e maré baixa: comportas abertas; escoamento natural

Chuva forte e maré baixa: retenção parcial e controle por comportas

Chuva fraca e maré alta: comportas fechadas; armazenamento temporário

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Chuva forte e maré alta: acionamento simultâneo de todas as bombas

A expectativa é que, com a entrada em operação das novas unidades, a capacidade de drenagem da Zona Noroeste seja ampliada significativamente — uma resposta estrutural às enchentes que, mais uma vez nesta semana, expuseram a vulnerabilidade histórica da região.

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