Ypê reforça pedido e manda clientes não jogarem fora produtos suspensos

A fabricante orienta que itens afetados por decisão da Anvisa sejam guardados até nova ordem e garante reembolso integral

Durante a fiscalização, a agência encontrou a bactéria em mais de 100 lotes de produtos acabados e apontou 76 irregularidades na unidade industrial

Durante a fiscalização, a agência encontrou a bactéria em mais de 100 lotes de produtos acabados e apontou 76 irregularidades na unidade industrial/ Divulgação

A Ypê orientou na noite de terça-feira (19) os consumidores a não usar e nem descartar os produtos que tiveram a venda suspensa pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão atinge todos os lotes detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes cujos números de lote terminam em 1.

Em nota, a fabricante informou que os itens devem ser guardados até que haja uma nova manifestação da autoridade sanitária e reafirmou que os clientes poderão solicitar o reembolso integral.

“Aos consumidores que possuam os produtos objeto da medida, a orientação é a de que os itens sejam guardados adequadamente e de que não sejam utilizados nem descartados até novas orientações da Anvisa”.

A empresa também explicou que quem preferir devolver os produtos poderá pedir o ressarcimento por meio dos canais oficiais de atendimento da companhia.

Veja os lotes atingidos pela decisão da Anvisa

Entenda o caso

A suspensão foi determinada após uma inspeção realizada na fábrica da empresa, em Amparo, em conjunto com órgãos da vigilância sanitária paulista.

Os fiscais da Anvisa identificaram falhas em etapas consideradas críticas do processo de fabricação, incluindo problemas nos sistemas de controle de qualidade, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos.

Quais são os riscos?

A agência sanitária também informou que detectou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

Especialistas ouvidos pela imprensa explicam que a bactéria é comum no ambiente e representa baixo risco para a maior parte das pessoas saudáveis. O microrganismo pode provocar infecções ao entrar em contato com mucosas, olhos ou lesões na pele.

O maior cuidado é recomendado para grupos mais vulneráveis, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas com queimaduras, feridas ou dermatites, além de bebês e idosos em condição de fragilidade.

O que fazer se você tiver um produto afetado

A recomendação é interromper imediatamente o uso dos itens incluídos na medida cautelar. Quem já utilizou os produtos e não apresentou sintomas não precisa procurar atendimento médico apenas por causa da exposição.

É necessário atenção a sinais como irritações persistentes, secreções, febre ou problemas oculares. Também é recomendada a substituição de esponjas de pia que tenham sido usadas com os detergentes afetados e, em caso de dúvida, a relavagem de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outro produto.

O que diz a Ypê

A Ypê contesta as conclusões da Anvisa e afirma que a inspeção não identificou contaminação nos produtos comercializados. A empresa também sustenta que as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas que não entram em contato com os itens vendidos.

Além disso, a fabricante ainda argumentou que o uso regular dos produtos suspensos reduz significativamente qualquer eventual carga bacteriana.

Não há registros na literatura médica de infecções associadas ao uso de roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados. A companhia informou que pretende apresentar novos testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela Anvisa para comprovar a segurança dos lotes colocados no mercado.