Cotidiano

Você rejeita ligações desconhecidas? Especialista alerta por que isso pode piorar o spam

Gesto automático usado por milhões de pessoas pode confirmar que o número está ativo e atrair ainda mais ligações indesejadas

Ana Clara Durazzo

Publicado em 12/01/2026 às 09:30

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Em um tópico publicado na rede social X, a pesquisadora afirmou que 'cada vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo', o que faz com que novas ligações se multipliquem / ImageFX

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O telefone toca, o número é desconhecido e a reação é quase instintiva: apertar o botão de 'rejeitar'. O que parece uma forma rápida de evitar golpes e aborrecimentos pode, na prática, estar alimentando exatamente o problema.

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Segundo Nona, professora e especialista em inteligência artificial, esse simples gesto funciona como um sinal claro para sistemas de spam de que há alguém do outro lado da linha.

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Em um tópico publicado na rede social X, a pesquisadora afirmou que 'cada vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo', o que faz com que novas ligações se multipliquem. A lógica é direta: para campanhas automatizadas de telemarketing e golpes, não é necessário convencer a vítima — basta saber que o número existe e responde.

Como o spam 'aprende' com o usuário

No universo dos call centers e, principalmente, dos discadores automáticos, cada tentativa de ligação gera um registro. O sistema identifica se o telefone chamou, se houve sinal de ocupado, se a chamada foi desligada rapidamente ou se alguém atendeu. Mesmo sem diálogo, qualquer interação pode ser interpretada como validação do número.

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Embora nem todas as operações classifiquem esses dados da mesma forma, o princípio destacado por Nona está alinhado com práticas clássicas de segurança digital: quanto menos interação com contatos suspeitos, menos informações são oferecidas para quem tenta explorar falhas ou otimizar campanhas de spam.

O problema começa antes da ligação

A especialista chama atenção para um ponto pouco percebido pelos usuários. O processo não se inicia quando o telefone toca. Ao se cadastrar em aplicativos, lojas virtuais ou serviços online, o número de telefone pode acabar circulando em listas comerciais e mercados de dados, muitas vezes associado a outras informações do perfil do usuário.

Nesse contexto, cada reação — inclusive rejeitar uma chamada — pode servir como um dado adicional para sistemas que cruzam informações e ajustam estratégias. O resultado é um ciclo de ligações cada vez mais frequentes.

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'Menos é mais': duas frentes para reduzir o incômodo

De acordo com Nona, a melhor forma de lidar com o problema envolve duas estratégias complementares. A primeira é imediata: não retornar ligações de números desconhecidos, não interagir com mensagens automáticas, evitar apertar teclas para 'cancelar' cadastros suspeitos e utilizar os filtros de chamadas oferecidos pelo próprio aparelho.

A segunda é administrativa e exige mais paciência, mas tende a ser mais eficaz a longo prazo. Ela inclui revogar consentimentos concedidos a serviços, aderir a programas de exclusão de publicidade e registrar reclamações formais quando necessário. Pode não trazer a sensação imediata de alívio, mas atua na raiz do problema ao cortar o acesso aos dados.

A recomendação final da especialista é clara: no combate ao spam telefônico, o silêncio costuma ser a resposta mais eficaz.

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