Frutas e vegetais presentes na rotina de milhões de pessoas podem esconder um problema invisível. Um novo levantamento internacional aponta que alimentos considerados saudáveis, como morango, uva e couve, podem conter resíduos de pesticidas, incluindo substâncias conhecidas como “químicos eternos”, que permanecem no ambiente e no organismo por longos períodos.
O alerta faz parte do Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos de 2026, elaborado pelo Environmental Working Group (EWG), que analisou mais de 54 mil amostras de 47 frutas e vegetais. Os dados mostram que cerca de 75% dos produtos não orgânicos apresentaram resíduos de pesticidas, reforçando a preocupação com a exposição cotidiana a essas substâncias .
O que são os “químicos eternos”
Um dos principais pontos do estudo é a presença dos chamados PFAS, substâncias químicas conhecidas como “forever chemicals”, ou “químicos eternos”. Esse nome vem da capacidade dessas substâncias de não se degradarem facilmente, permanecendo no ambiente, na água e até no corpo humano por anos .
Esses compostos são usados em pesticidas para aumentar sua eficácia, mas levantam preocupações devido à possível associação com problemas de saúde, incluindo impactos no sistema imunológico, reprodutivo e até aumento do risco de doenças crônicas .
Um pesticida chama atenção
Entre os compostos identificados, o fludioxonil foi o mais frequentemente encontrado. Esse fungicida apareceu em cerca de 14% das amostras analisadas e foi detectado em quase 90% de frutas como pêssegos e ameixas .
O estudo também aponta que, em muitos casos, os alimentos não apresentam apenas um tipo de resíduo, mas uma combinação de diferentes pesticidas, o que amplia o debate sobre os efeitos cumulativos dessas substâncias no organismo.

Os alimentos mais contaminados
A pesquisa organiza os alimentos em duas listas conhecidas: a “Dirty Dozen” (os mais contaminados) e a “Clean Fifteen” (os menos contaminados).
Entre os produtos com maior presença de pesticidas estão:
espinafre
morango
uva
nectarina
couve e folhas verdes
Em alguns casos, os alimentos apresentaram múltiplos resíduos por amostra. Frutas como morango e uva, por exemplo, chegaram a concentrar vários tipos de pesticidas simultaneamente .
Além disso, cerca de 96% das amostras dos itens mais contaminados apresentaram algum nível de pesticida, com mais de 200 substâncias diferentes identificadas .

Os alimentos com menos resíduos
Por outro lado, o estudo também aponta opções consideradas mais seguras dentro da produção convencional.
Entre os chamados “Quinze Limpos” estão:
abacaxi
milho doce
abacate
mamão
cebola
Outros itens como couve-flor, banana, cenoura, manga e melancia também aparecem com níveis menores de contaminação .
Isso não significa ausência total de pesticidas, mas sim menor concentração dessas substâncias.
Nem tudo é motivo para alarme
Apesar dos dados chamarem atenção, especialistas reforçam que frutas e vegetais continuam sendo essenciais para a saúde. O próprio relatório destaca que os benefícios do consumo desses alimentos superam os riscos potenciais dos resíduos.
O objetivo do guia não é reduzir o consumo, mas ajudar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes, especialmente quando possível optar por produtos orgânicos ou variar a alimentação.
Por que isso está acontecendo
O aumento da presença de pesticidas está ligado ao modelo de produção agrícola intensiva, que utiliza defensivos químicos para garantir produtividade e reduzir perdas.
Além disso, estudos recentes mostram que os PFAS estão cada vez mais presentes em pesticidas modernos, o que amplia o debate sobre regulação e segurança alimentar .
Como reduzir a exposição
Especialistas apontam algumas medidas simples que podem ajudar a reduzir o contato com esses resíduos:
lavar bem frutas e vegetais
descascar quando possível
variar os alimentos consumidos
priorizar orgânicos em itens mais contaminados
Essas ações não eliminam totalmente os pesticidas, mas podem diminuir significativamente a exposição.

Um alerta que vai além do prato
O estudo reforça uma discussão maior sobre o sistema alimentar global. A presença de “químicos eternos” em alimentos levanta questionamentos não apenas sobre saúde individual, mas também sobre impactos ambientais e sustentabilidade.
Isso porque essas substâncias podem contaminar solo e água, permanecendo no ecossistema por décadas.
Comer bem continua sendo essencial
Apesar do cenário, a recomendação principal não mudou. Consumir frutas e vegetais continua sendo fundamental para a saúde.
A diferença agora é que o consumidor está mais informado. E, diante disso, pode escolher não apenas o que comer, mas também como reduzir riscos invisíveis que estão presentes no prato todos os dias.
