Vazamentos atrapalham combate ao fogo na Alemoa

Combate ao fogo chega ao sexto dia. Bombeiros precisam controlar pontos de saída de combustível antes de atacar novamente as chamas

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07 ABR 201519h28

O sexto dia de combate ao incêndio nos tanques da empresa Ultracargo, na Alemoa, em Santos, foi de complicações para as equipes que trabalham no local. Apesar de apenas um tanque continuar pegando fogo, vazamentos impediram que o Corpo de Bombeiros realizasse outro ataque às chamas.

“Há pontos de vazamento na boca de inspeção e na tubulação do dique. Esse vazamento aumenta o combustível em contato com o calor e gera o incêndio. Nós mantemos o resfriamento, impedindo a propagação e agregamos a viabilidade de conter o vazamento. Após a contenção, iremos resfriar o tanque, atingirmos a temperatura menor para combate e fazer um novo ataque”, explicou o capitão Alexsandro Vieira, do Corpo de Bombeiros.

Na quinta-feira (6), as chamas chegaram a ser extintas, por volta das 18h, mas voltaram a aparecer pouco tempo depois. Em contrapartida, o outro tanque que ainda pegava fogo, agora, está inerte. Segundo os Bombeiros, mesmo com as chamas, a situação segue sob controle.

Ainda não há previsão para o término da ocorrência. “Previsão nós não temos por causa da temperatura do combustível, a quantidade, que não tem como ser calculada, nem a do vazamento. Temos expectativa que, com condições oportunas e pertinentes, um novo ataque cesse essa chama”, disse Vieira.

O porta-voz dos Bombeiros também minimizou o efeito das chuvas durante o trabalho para conter o incêndio. “A chuva não atrapalha e nem nos ajuda. Não atrapalha porque estamos acostumados a trabalhar sob efeito da água e não ajuda porque a temperatura é muito alta. Nossa água não é suficiente. A gente utiliza a espuma. Se nossa água, com alta pressão, não é suficiente, a água da chuva também tende a não resistir ao calor”.

Bombeiros precisam conter vazamentos antes de chegar as chamas (Foto: Matheus Tagé/DL)

Cold fire

A expectativa segue em relação à utilização da espuma “cold fire”, de origem norte-americana que, mais densa, teria um efeito maior contra as chamas. Entretanto, os vazamentos dificultaram o uso. Os bombeiros seguem armazenando os 4 mil litros do líquido, além de 5 mil litros da espuma tipo F-500, outra especial, além da já utilizada nos outros dias de trabalho.

Alexsandro Vieira falou sobre as dificuldades enfrentadas neste incêndio. “São duas principais. A primeira é a  grande quantidade de combustível, principalmente quando se fala em vazamento. Antes nós trabalhávamos com o combustível isolado dentro do tanque. Tinha uma quantidade que era queimada e nós combatíamos. Hoje, estamos trabalhamos com vazamento, que tanto impede o combate direto quanto traz riscos aos nossos homens. O outro ponto é que geralmente o fogo é combatido de dentro da instalação física, de dentro de um prédio. Esse, nós combatemos de fora, de longe, utilizando somente sistemas externos”.

De acordo com o capitão, 200 pessoas trabalham, por dia, para auxiliar no combate ao fogo. Além das 4 embarcações que bombeiam a água do mar para o local, os trabalhos contam com a ajuda de diversos veículos. Entre eles, caminhões da Infraero e das Forças Armadas, que receberam ordens da presidente Dilma Rousseff para auxiliar na força-tarefa. 

Por todos os fatores do incêndio, o bombeiro crê que é a maior ocorrência enfrentada no País. “Conseguimos concluir, de forma precoce, que, na área industrial química, é o maior incêndio do País. Isso levando em conta a duração, o emprego de homens, a quantidade de combustível queimado, os meios utilizados e a integração de forças”, finalizou Vieira.