Teatros de Santos não têm vistoria do Corpo de Bombeiros

Coliseu, Guarany e Braz Cubas não são seguros contra incêndios e não têm auto de vistoria do Corpo de Bombeiros, o AVCB

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12 MAR 201310h27

Os três teatros santistas Braz Cubas, Coliseu e Guarany — o primeiro na Vila Mathias e os dois últimos no Centro da Cidade — não possuem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Ou seja, não dão segurança a centenas de pessoas que, semanalmente, frequentam os locais não só como espectadoras, mas também como estudantes de cursos de artes em geral.

A confirmação foi obtida ontem por meio do chefe da Seção de Análise do 6º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Santos, tenente Samuel Matheus Amaral Teixeira. O AVCB assegura que as edificações atendem as normas previstas no regulamento de segurança contra incêndios.

“O Corpo de Bombeiros, infelizmente, não possui competência para fiscalizar, interditar ou exigir qualquer providência por parte dos responsáveis pelas edificações. Isso compete à Prefeitura”, esclarece Teixeira.

O tenente afirma que é importante que todos os próprios públicos tivessem o AVCB, cujos projetos técnicos são divididos em dois grupos: o simplificado (para áreas inferiores a 750 m²), que basta preencher um formulário e anotação de responsabilidade técnica emitida por engenheiro; e o convencional (para áreas de metragem superior a 750 m²), sendo necessária também a apresentação de uma planta baixa e equipamentos como hidrantes.

“No primeiro caso, basicamente é preciso extintores, sinalização e luminárias de emergência. No segundo, adiciona-se um quarto item que é o hidrante. Em alguns casos, são necessários ainda os chuveiros automáticos (bicos no teto que jorram água), sistema de proteção por espuma e escada pressurizada (que impede a entrada de fumaça)”.

O bombeiro alerta que mesmo prédios tombados pelo patrimônio histórico precisam do AVCB. “Tem que ser feitas adaptações para garantir a segurança. A dispensa de algum item tem que ser substituída por outro de segurança”.

O Coliseu tem 1.050 lugares e foi reinaugurado no ano de 2005 (Foto: Matheus Tagé/DL)

Herança

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) é vítima de “uma brincadeira de mau gosto”. As reformas do Guarany e do Coliseu foram realizadas e entregues na gestão do exprefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), que é engenheiro elétrico. Portanto, ele deveria se atentar para a importância do AVCB. É o velho ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau.

O Guarany, com 96 lugares, foi inaugurado há 130 anos e o primeiro construído para ser teatro. A primeira grande reforma do Guarany aconteceu em 1910 e teve seu auge até mais ou menos a década de 20. Em 1981, por sinal, um grande incêndio destruiu quase toda a construção, que foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). A Prefeitura comprou o teatro começando uma reforma que levou dois anos, sendo concluída em 2008.

Coliseu

O Coliseu, com 1.050 lugares, foi reinaugurado em 2005, após 10 anos de obras e R$ 20 milhões em investimentos. Inaugurado em 1924, serviu de palco para grandes companhias que trouxeram à Cidade artistas de renome como Procópio Ferreira, Cacilda Becker, Grande Otelo e Oscarito. Foram restaurados palco, foyer, camarotes, afrescos e pintura, o local ganhou sistema de arcondicionado, dez novos camarins, lugares para portadores de necessidades especiais e elevadores.

Braz Cubas

Com 544 lugares e palco de peças, concertos, shows musicais, festivais e espetáculos de dança, o Teatro Municipal Braz Cubas foi inaugurado em 1979 e desde então é o espaço onde artistas de Santos e da Região mostram sua arte. Assinado pelos arquitetos santistas Osvaldo Correa Gonçalves e Abrahão Sanoviks e pelo paulistano Julio Katinsky, o local está instalado no Centro de Cultura Patrícia Galvão.