Sozinha em SP? Grupos de mulheres viram febre para fazer amizades, viajar e até curtir bares

Esses grupos voltados para o público feminino estão ganhando influência na capital paulista e abordando um problema comum nas grandes cidades: o isolamento social

 Com mais de 11 milhões de habitantes em uma cidade de movimento e ritmo constantes, a solidão é agora comum para milhares de mulheres em São Paulo.

 Com mais de 11 milhões de habitantes em uma cidade de movimento e ritmo constantes, a solidão é agora comum para milhares de mulheres em São Paulo

Com mais de 11 milhões de habitantes em uma cidade de movimento e ritmo constantes, a solidão é agora comum para milhares de mulheres em São Paulo.

Mas, na correria da maior metrópole do país, grupos de mulheres estão se formando, com essa mesma proposta: forjar conexões reais, novas amizades (e redes de apoio) capazes de mudar a rotina de pessoas que vivem sozinhas ou buscam companhia para momentos simples do dia a dia.

Esses grupos voltados para o público feminino estão ganhando influência na capital paulista e abordando um problema comum nas grandes cidades: o isolamento social.

Os números ajudam a explicar a força desse fenômeno

Segundo dados compilados pelo IBGE, os domicílios unipessoais (com apenas um residente) estão aumentando a cada ano em todo o estado de São Paulo.

Hoje, aproximadamente 19,9% dos lares paulistas são ocupados por um único indivíduo, representando cerca de 3,5 milhões de moradores vivendo em unidades solitárias. Esse contingente representa 22,4% de todos os domicílios unipessoais no Brasil.

A situação é mais significativa entre as mulheres, particularmente acima dos 60 anos, com mais da metade das brasileiras vivendo sozinhas nesse grupo, muitas delas viúvas ou com filhos que já deixaram o lar.

Socialização intencional

Mesmo que uma pessoa tenha decidido que viver sozinha é uma escolha de estilo de vida, a necessidade básica de pertencer está presente.

De fato, como classificariam os especialistas em comportamento urbano, as pessoas que vivem em São Paulo estão longe de realmente se sentirem conectadas ao seu entorno.

A socialização intencional começou a ganhar espaço nos grupos de mulheres, em resposta a esse espaço limitado.

Trail Girls

Um coletivo fundado há seis anos para reunir mulheres para corridas, trilhas e experiências na natureza é um dos melhores exemplos. Indo muito além do físico, o movimento se transformou em uma rede de apoio projetada para acolher, manter o bem-estar e criar laços.

Em montanhas, parques e trilhas urbanas, as pessoas trocam narrativas pessoais, cultivam amizades próximas e promovem um senso de camaradagem.

Confira mais informações do grupo nesse link.

Cansadas SP

O coletivo foi criado quando a fundadora do coletivo, Eduarda Volpato, observou nos comentários das redes sociais que um grande número de mulheres sentia falta de companhia para as atividades mais comuns do dia como ir ao shopping, tomar um café, ir a um bar ou a um show.

Com um programa chamado “Solteiras Cansadas”, o empreendimento tornou-se maior do que o projeto inicialmente proposto, tornou-se uma indústria de amizade feminina. Hoje, o grupo incentiva desde piqueniques e jantares até viagens e passeios culturais.

O mecanismo do grupo para organizar as participantes é principalmente o WhatsApp; utilizando os recursos de comunidade incorporados no aplicativo, permite a segmentação das participantes de acordo com bairros, interesses e estilos de vida, possibilitando encontros presenciais conforme a afinidade.

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Mapa das Minas

Outro modelo, o de assinatura, também está se desenvolvendo e crescendo em popularidade na região de São Paulo.

O Clube Mapa das Minas, por exemplo, é como uma boutique no exclusivo clube social de mulheres.

Uma taxa de R$ 39,90 é adicionada ao pacote de adesão, que inclui encontros em cafeterias e restaurantes, reuniões de clubes de leitura, oficinas criativas, eventos esportivos e eventos pela cidade, além de descontos, adesão a benefícios especiais e brindes.

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Samba de Dandara e a Resenha de Crioulas

Para os famintos por música e cultura, as rodas de samba povoadas por mulheres na capital são vastos espaços para se reunir. Iniciativas tradicionais como o Samba de Dandara e a Resenha de Crioulas reúnem o grupo feminino em várias apresentações para combinar relaxamento, reforço cultural e a criação de novos laços emocionais.

Busca por conexão na vida adulta

Nas últimas décadas, fazer amigos tornou-se um desafio, dizem os especialistas, especialmente em áreas urbanas lotadas.

Longas jornadas de trabalho e longos deslocamentos, e uma rotina sufocante, reduzem drasticamente os encontros sociais espontâneos.

Como reação direta a esse isolamento, plataformas e coletivos em torno de interesses mútuos estão em ascensão em todo o mundo.

Além do lazer pessoal, a disseminação desses movimentos oferece uma reflexão mais profunda sobre a mudança social subjacente: a busca pela interação humana.

Em uma cidade de milhões, onde milhões e milhões, mas também onde milhões vivem em um vácuo e se tornam isolados, construir comunidade é agora um elemento necessário para o bem-estar, na medida em que promove felicidade e estabilidade ao prevenir o isolamento.

Para milhares de mulheres paulistanas, simplesmente tomar um café, caminhar ou apenas conversar com alguém tornou-se a maneira mais poderosa de transformar a experiência de viver no maior centro urbano da cidade.