Sem pagamento, operários protestam em Santos

A manifestação foi mobilizada em frente a quatro torres de 20 andares erguida pela incorporadora PDG, na Rua Silva Jardim, no bairro Vila Nova

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16 ABR 201511h09

Um grupo de 64 ex-funcionários da empreiteira Schahin Engenharia realizou um protesto por falta de pagamento, ontem (15), em Santos. A manifestação foi mobilizada em frente a quatro torres de 20 andares erguida pela incorporadora PDG, na Rua Silva Jardim, no bairro Vila Nova. A obra foi a última com participação da empreiteira Schahin na Cidade.

O grupo Schahin passa por dificuldades financeiras. A ramificação da empresa que cuida de petróleo e gás tem a Petrobras como principal cliente. Na última semana, ela paralisou a operação de sondas para a estatal e deve cerca de 1 bilhão de dólares para os credores. Pela situação enfrentada, a empresa tem demitido funcionários.

Os operários tiveram seus contratos rescindidos no último dia 2 e deveriam ter recebido a indenização até a última segunda-feira (13), o que não ocorreu. “É um negócio triste, que não gostamos de fazer, mas somos obrigados”, disse Luiz Carlos de Andrade, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Santos (Sintracomos).

Segundo Andrade, a falta de pagamento até o dia 13 “incorre em multa pelo atraso com o salário nominal, além da quitação normal”.

Grupo de operários deve realizar novos atos em frente às obras (Foto: Matheus Tagé/DL)

A Schahin pediu mais 10 dias para quitar as rescisões. Mas o sindicato negou. “Os trabalhadores rejeitaram sabiamente porque sabem que ela só quer ganhar tempo para voar mais alto”, comentou Luiz Carlos.

O Sintracomos quer que a PDG também se responsabilize pelos operários. “Nós não arredamos pé enquanto a construtora principal, proprietária do prédio, não pagar aos trabalhadores”, garantiu o sindicalista.

Macaé Marcos Braz de Oliveira, presidente do sindicato, busca uma reunião urgente no Ministério do Trabalho para definir a situação. Segundo Luiz Carlos de Andrade, o órgão também irá ao Ministério Público e, em último caso, abrir um processo contra a empreiteira.

Enquanto não há definição, os operários devem seguir com a manifestação em frente às torres. “Enquanto não pagarem, não vamos sair daqui. Amanhã (hoje) estaremos aqui e na sexta-feira também”, garantiu o vice-presidente do Sintracomos.