A orla de Santos está no centro de uma grande conversa que envolve todo mundo: quem corre, quem dirige, quem trabalha e quem passeia. Em uma audiência pública na Câmara Municipal, o projeto para criar uma pista de corrida e acessibilidade deu um passo importante.
O objetivo é tirar os corredores do asfalto, onde correm risco de atropelamento, e dar um piso liso para quem tem deficiência, sem estragar a beleza dos jardins da maior orla de praia do mundo.
O maior desafio é encontrar espaço para todos. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, que fez o projeto, explicou que a cidade precisa se adaptar. Ele deixou claro que não quer “congelar” a cidade, mas sim melhorá-la.
“O tombamento não é congelamento. Quando você tomba algo é porque reconhece que aquele elemento traz pertencimento. Só que, não é porque você tombou que você não pode atender às demandas da sociedade. Ela é dinâmica (…) Redesenhar a cidade com foco no pedestre, e aí envolve correr também, tem que ser prioridade de todos”, comenta.
A cidade tem uma área exclusiva para pedestrianismo. Em julho do ano passado, a cidade deu início a um projeto-piloto que cria uma Área de Treinamento de Pedestrianismo (ATP) na orla da praia.
As 4 ideias para instalar pista de corrida
Para resolver o problema, a secretaria de Farinello apresentou três caminhos, e o vereador Paulo Miyasiro sugeriu um quarto:
Sobre essa quarta opção, o vereador explicou: “Eu ando muito ali pelo Canal 3 até o emissário, tem uma faixa que tem quase 1,20m ali, tirando os bancos, fica entre as árvores e a ciclovia; não precisa nem tirar aquele jardinzinho da ciclovia. Eu acho que dando uma boa alisada ali, já seria uma boa pista de corrida”.
Por que a pista de corrida é urgente?
Muita gente se pergunta por que gastar tempo com isso agora. O presidente do Conselho Municipal de Esportes, Marcelo Cassati, deu um sério aviso sobre a segurança de quem treina.
“Até o dia de hoje, nós já tivemos 15 corridas no município em 2026 e até o final do ano nós teremos mais 44 corridas (…) É importante que a cidade de Santos discuta um espaço seguro para o treinamento. Nós já tivemos histórico de atropelamento de atleta treinando ali. O atleta sai do calçadão e vai treinar na rua, já que precisa de um piso mais confortável e adequado”, explica.
A diretora de Planejamento e Projetos da CET-Santos, Luciane Beck, também defende que a segurança venha primeiro. “Sinceramente, a opção três é a que mais me agrada. A gente não tem a questão do embarque e desembarque, a gente não tem a questão do ônibus. O mais seguro é essa opção.”
Não são apenas os atletas que ganham. O servidor público Eduardo Leonel, lembrou que um chão liso e sem buracos ajuda muita gente. “A corrida de rua é uma porta de entrada muito democrática para a pessoa com deficiência acender o esporte, acender a vida social (…) Santos é muito simbólico nisso. A atleta Vanessa Cristina, que veio agora competir em Boston, começou no Campeonato Santista de Pedestrianismo, treina nas ruas de Santos”, conta.

Contudo, moradores trouxeram críticas importantes. José Renato Borges, o “Mosquito”, lembrou de quem mora na frente da praia: “Muitos prédios de frente para a praia não têm vaga de estacionamento. O que adianta eu resolver o meu problema, que gosto de correr, e grande parte dos moradores não ter onde estacionar?”.
Já a jornalista Patrícia Lira cobrou atenção com outros problemas. “Precisamos tirar os moradores de rua da cidade. Não adianta fazer ciclovia se a gente tem que passar por cima do morador de rua”.
O que acontece agora?
A audiência pública foi só o começo de uma construção coletiva. Ficou decidido que uma comissão será criada com treinadores de corrida, atletas e técnicos da Prefeitura para estudar as melhores ideias.
O vereador Paulo Miyashiro vai levar todas as sugestões para o prefeito Rogério Santos: “Ficou definido que vou encaminhar a ata da audiência ao Executivo, reunindo todas as demandas e sugestões apresentadas pela população.”
Uma nova audiência pública será marcada para mostrar o resultado final, contanto que a Prefeitura melhorar o projeto com as ideias apresentadas.
Como disse o vereador Miyashiro ao encerrar: “O principal é que as pessoas publiquem, incentivem através das redes sociais o quanto que é importante. (…) Seguimos construindo esse projeto de forma coletiva”.






