A Rodovia dos Imigrantes completa 50 anos neste domingo (28) consolidada como uma das obras mais emblemáticas da engenharia brasileira. Inaugurada em 1976, a pista norte transformou a ligação entre a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista ao criar uma nova alternativa de acesso pela Serra do Mar. A construção de túneis e viadutos reduziu a dependência da Via Anchieta e acompanhou o crescimento econômico e populacional do Estado.
Construída pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), a rodovia foi projetada para vencer um dos trechos mais desafiadores do relevo paulista. A obra reuniu soluções inéditas para a época, conciliando infraestrutura viária com a preservação de uma área de Mata Atlântica de elevada sensibilidade ambiental.
Virou história
Com 17,8 quilômetros de extensão, a pista norte foi construída com três faixas de rolamento e um conjunto de obras especiais que impressiona até hoje. O trajeto pela Serra do Mar reúne 11 túneis e 20 viadutos, que somam mais de 12 km de estruturas.
Em alguns pontos, os pilares foram fixados em rochas a até 40 metros de profundidade, enquanto viadutos alcançam mais de 80 metros de altura para vencer o terreno acidentado e presença de Mata Atlântica nativa. A pista foi construída com três faixas de tráfego que permitem velocidades de até 110 km/h.
Na época da inauguração, o empreendimento representou um dos maiores desafios da engenharia rodoviária nacional e ampliou significativamente a capacidade de ligação entre o planalto e o litoral paulista.
Redução de impactos ambientais
Uma nova etapa da história da rodovia começou em meados de 1998, quando a Ecovias Imigrantes assumiu a concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e deu continuidade ao investimento em infraestrutura, conservação e segurança viária da região. Quatro anos depois foi inaugurada a segunda pista da Imigrantes, construída com soluções que reduziram a interferência sobre a Mata Atlântica.
Enquanto a pista original utilizou 133 pilares de sustentação e mais 16 canteiros de obras, a nova estrutura foi executada com apenas 62 pilares e apenas dois canteiros, utilizando vãos maiores entre as estruturas. A solução resultou em cerca de 40 vezes menos desmatamento em comparação ao projeto da década de 1970.
Além das obras viárias, a concessionária mantém programas ambientais, como um viveiro que já produziu mais de um milhão de mudas nativas destinadas à recuperação de áreas verdes.
Ao longo da concessão, a Ecovias Imigrantes já investiu mais de R$ 11 bilhões em melhorias no Sistema Anchieta-Imigrantes, incluindo modernização da operação, atendimento aos usuários, implantação de equipamentos tecnológicos e obras de infraestrutura, como melhorias na entrada de Santos e novos acessos ao Porto de Santos.
“A história da Rodovia dos Imigrantes mostra como a engenharia brasileira evoluiu para acompanhar as necessidades de mobilidade do Estado de São Paulo. A primeira pista transformou a conexão entre o planalto e o litoral paulista. A partir da concessão, a Ecovias Imigrantes deu continuidade a essa trajetória com a construção da segunda pista, a modernização da operação e novos investimentos que preparam o sistema para os próximos anos”, afirmou Ronald Marangon, diretor superintendente da concessionária.
Rodovia que não para
Cinco décadas depois da inauguração, o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) continua sendo um dos principais corredores logísticos do país. Somente entre 2010 e 2025, o volume médio diário subiu cerca de 25$, passando de 98,5 mil para mais de 123 mil veículos por dia.
Ao longo da concessão da Ecovias, mais de R$ 11 bilhões foram investidos em infraestrutura, segurança viária, atendimento aos usuários e modernização operacional. Atualmente, o sistema conta com 300 de câmeras de monitoramento, 47 painéis eletrônicos, 5 ambulâncias, 17 guinchos (leves e pesados) e 15 viaturas que operam de forma integrada para atender milhões de motoristas todos os anos. Já foram mais de 3,4 milhões de atendimentos operacionais no local.
A preocupação ambiental segue presente na operação do Sistema Anchieta-Imigrantes. Entre as iniciativas mantidas pela Ecovias Imigrantes está o viveiro de mudas da concessionária, que já produziu mais de 1 milhão de mudas nativas utilizadas em projetos de recomposição vegetal e recuperação de áreas verdes no Estado de São Paulo.
